“Você tem que estudar para ser alguém na vida?”: a educação do campo como estratégia para qualidade de vida na reserva extrativista marinha Caeté Taperaçu, Bragança-PA

Autores

  • Rafaela da Cunha Pinto Universidade Federal do Pará(UFPA) https://orcid.org/0000-0003-4118-7177
  • Márcia Mariana Bittencourt Brito UFPA
  • Angela Steward UFPA

DOI:

https://doi.org/10.14295/ambeduc.v25i3.11831

Palavras-chave:

Reserva Extrativista, Educação do Campo, Qualidade de Vida.

Resumo

O presente artigo analisa a necessidade de políticas educacionais voltadas para as populações do campo enquanto estratégias de melhoria para a qualidade de vida, considerando-se o cenário educacional de comunidades da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu-PA. Utilizou-se uma abordagem qualitativa, contando com uma revisão bibliográfica, entrevistas não diretivas e análises de experiências em desenvolvimento que promovem a educação ambiental e do campo como alternativas de melhorias para qualidade de vida. A análise educacional traz subsídios para promoção da qualidade de vida das comunidades e ressalta a necessidade de se compreender os limites da educação, os perigos da instrumentalização e a institucionalização como indicador e não como proposta de emancipação. O trabalho propõe reflexões no debate sobre educação do campo e ambiental como potenciais alternativas de organização e desenvolvimento coletivo do espaço rural, especialmente em Reservas Extrativistas.

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Biografia do Autor

Rafaela da Cunha Pinto, Universidade Federal do Pará(UFPA)

Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável (MAFDS/UFPA,2020) pesquisa desenvolvida sobre o tema Qualidade de Vida de populações tradicionais, atualmente atuo como socióloga do Instituto Peabiru.

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Publicado

2021-02-01

Como Citar

Pinto, R. da C., Mariana Bittencourt Brito, M. ., & Steward, A. . (2021). “Você tem que estudar para ser alguém na vida?”: a educação do campo como estratégia para qualidade de vida na reserva extrativista marinha Caeté Taperaçu, Bragança-PA. Ambiente &Amp; Educação, 25(3), 316–347. https://doi.org/10.14295/ambeduc.v25i3.11831