Ecopedagogia e Povos Indígenas da Amazônia
Cosmovisões e Saberes Ancestrais como Práxis de Sustentabilidade
DOI:
https://doi.org/10.63595/ambeduc.v30i4.20225Palavras-chave:
Ecopedagogia, Povos Originários, Epistemologias do Sul, Saberes ancestrais, SustentabilidadeResumo
Ecopedagogy and Indigenous Peoples of the Amazon: Cosmovisions and Ancestral Knowledge as a Praxis of Sustainability
O artigo examina a ecopedagogia em diálogo com saberes ancestrais dos povos originários da Amazônia rondoniense, entendendo que a crise ambiental contemporânea é também uma crise epistêmica produzida pela racionalidade moderna que dissocia sociedade e natureza. A ecopedagogia é tratada como pedagogia crítica da sustentabilidade, cujas potencialidades se afirmam, mas cujos limites emergem quando universalismos pedagógicos obscurecem a diversidade cultural. Nesse contexto, mobilizam-se a interculturalidade crítica e as epistemologias do Sul, especialmente a ecologia de saberes, para problematizar o epistemicídio e reivindicar justiça cognitiva. O texto evidencia cosmovisões e práticas educativas indígenas que concebem a terra como sujeito de direitos, mostrando que tais saberes não são complementares ao conhecimento ocidental, mas aportes epistêmicos capazes de reconfigurar a própria ecopedagogia em direção a um paradigma decolonial. Sustenta-se que o diálogo intercultural e a valorização de saberes ancestrais podem formar sujeitos ecológicos e fortalecer futuros sustentáveis. Com abordagem qualitativa, hermenêutica e interdisciplinar, o estudo busca preencher lacunas teóricas e estimular práticas educativas situadas que articulem sustentabilidade, direitos humanos e justiça socioambiental. Conclui-se reafirmando a centralidade da pluralidade epistêmica e a necessidade de uma ecopedagogia decolonial ancorada em territorialidades e epistemologias plurais.
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