Decolonialidade e Educação Ambiental no Enpec

Análise de uma Década (2011–2021)

Authors

DOI:

https://doi.org/10.63595/ambeduc.v30i3.19358

Keywords:

Educação Ambiental. Decolonialidade. Interseccionalidade. Justiça ambiental. Comunidades/conhecimentos tradicionais. Gênero.

Abstract

This study emerges from the imperative to challenge hegemonic paradigms within the field of Environmental Education, acknowledging coloniality not as a vestige of the past, but as a persistent and structuring force that continues to shape knowledge systems, bodies, and territorialities. Decoloniality is embraced here not merely as a theoretical-methodological framework, but as a political and epistemic orientation—one that calls for engaged dialogues with subaltern knowledges, orally transmitted, ancestrally rooted, and communally embodied. Drawing on the works of Antonio Bispo dos Santos, Malcom Ferdinand, Catherine Walsh, and other thinkers situated in insurgent territories, we argue for the necessity of re-grounding Environmental Education in cosmologies that resist the modern/colonial project of world-making. Rather than incorporating traditional knowledge into Western scientific paradigms, the task is to destabilize the monopoly of Western science as the sole arbiter of legitimate knowledge. Through a cartographic approach, we analyzed the presence (and pronounced absence) of research mobilizing decolonial perspectives within the proceedings of the National Meeting on Research in Science Education (ENPEC) from 2011 to 2021, focusing on the thematic area of “Environmental Education and Science Teaching.” Using descriptors such as environmental education, decoloniality, intersectionality, environmental justice, traditional knowledge/communities, and gender, our mapping identified only eight relevant studies over a ten-year period. This scarcity reveals a significant epistemological and political gap and underscores the silencing of epistemologies that embody alternative modes of existence, resistance, and knowledge production. We call attention to the urgent need to amplify these plural and insurgent epistemologies within Environmental Education as an act of cognitive justice and territorial accountability.



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Author Biographies

Daniela Carolina Ernst, Universidade de São Paulo (USP) - Brasil

Bachelor in Biological Sciences, specialist in Biotechnology from UERGS, Master in Science Teaching from the Federal University of the Southern Frontier (UFFS), Cerro Largo campus. Teacher in the State Education Network of Rio Grande do Sul and volunteer at the Iteramaxe Institute.

Diego dos Santos Reis , Universidade Federal da Paraíba (UFPB) - Brasil

Professor Adjunto do Departamento de Fundamentação da Educação, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPB, e do Programa de Pós-Graduação Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades (PPGHDL/FFLCH) da USP. diegoreis.br@gmail.com 

Maria Cristina de Castilho Caminha França, Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) - Brasil

Professora Titular no Instituto Federal do Rio Grande do Sul IFRS. Pesquisadora e líder de grupo de pesquisa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). Doutora em Antropologia Social (UFRGS). Editora-chefe da Revista ScientiaTec do IFRS.  mcristina.franca@poa.ifrs.edu.br 

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Published

2025-12-24

How to Cite

Ernst, D. C., Reis , D. dos S., & França, M. C. de C. C. (2025). Decolonialidade e Educação Ambiental no Enpec: Análise de uma Década (2011–2021) . Ambiente & Educação: Revista De Educação Ambiental, 30(3), 1–21. https://doi.org/10.63595/ambeduc.v30i3.19358

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