Governança ambiental e apagamentos sensoriais
crítica à racionalidade tecnocrática e à negação do saber-sentir nos territórios
DOI:
https://doi.org/10.63595/ambeduc.v30i3.19743Palabras clave:
Educação Ambiental, Epistemologias Críticas, Territorialidade, Corporeidade, Governança AmbientalResumen
Environmental governance and sensory erasures: a critique of technocratic rationality and the denial of knowing-feeling in territories
Este artigo analisa criticamente a literatura acadêmica recente sobre governança ambiental, com base em uma revisão integrativa de 56 artigos publicados entre 2004 e 2023 na plataforma Redalyc. Identificou-se predominância de abordagens tecnocráticas, normativas e funcionalistas, com invisibilização das dimensões sensoriais, afetivas e territoriais das experiências humanas. Observa-se também a marginalização de saberes locais e epistemologias críticas, além da ausência de categorias como justiça ambiental, racismo ambiental e ecossocialismo. A partir do diálogo entre epistemologias críticas e ecológicas, propõe-se uma reinterpretação da governança como campo de disputa ontológica e afetiva. Defende-se, por fim, uma Educação Ambiental ampliada, que valorize os saberes, a corporeidade e o enraizamento nos territórios para abarcar dimensões sensoriais, relacionais e corporificadas da existência e do cuidado com o mais-que-humano.
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