Caminhar como uma prática de conhecimento sensível
A relevância ecológica do flâneur e a deriva na Educação Ambiental
DOI:
https://doi.org/10.63595/ambeduc.v30i3.19798Palavras-chave:
Educação Ambiental, Epistemologias ecológicas, Flâneur, Deriva ecológica, Cartografia afetivaResumo
Walking as a practice of feeling-thinking knowledges: ecological reinterpretations of the flâneur and psychogeographic drift in environmental education
Este artigo propõe uma abordagem metodológica de educação ambiental, baseada em epistemologias ecológicas, que articula uma experiência educativa de caminhada pedagógica, registro sensorial e mapeamento afetivo como estratégias de reapropriação do território. Em diálogo com a fenomenologia, os estudos sensoriais e a antropologia da caminhada, ele recupera a figura do flâneur e a deriva para explorar o corpo em movimento como uma forma de sentir-pensar o ambiente mais do que humano. Essas práticas corporais e multissensoriais favorecem uma percepção incorporada e relacional do ambiente, promovendo uma ética de atenção, cuidado e reciprocidade com os seres vivos. É evidente que tais metodologias geram conhecimento situado e contra-hegemônico que desestabiliza o antropocentrismo, contribuindo para uma educação ambiental crítica e aberta ao medo, com o potencial de inspirar novas formas de aprendizagem coletiva e práticas pedagógicas transformadoras orientadas para a justiça ecológica.
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