Políticas públicas para formação de professores no Brasil: formação ou conformação ao ideário do capital?

Julia Malanchen, Rita de Cássia Duarte

Resumo


A proposta desse artigo é analisar a política de formação destinada a professores que atuam na educação básica que nas últimas duas décadas vêm sendo oferecidas em sua maior parte pela iniciativa privada e via modalidade EaD (ensino a distância). Tendo por base os postulados do materialismo histórico e dialético contido na pedagogia histórico-crítica demarcamos nesse artigo a função social da escola, do professor e do currículo escolar no processo educativo. Asseveramos que as pedagogias hegemônicas que compõem o ideário pós-moderno, portanto, niilistas e pragmáticas ocupam os espaços acadêmicos e virtuais com teorias pedagógicas relativistas que privilegiam a adaptação dos indivíduos às exigências econômicas, políticas e culturais do capitalismo contemporâneo, comprometendo dessa maneira a formação docente.

Palavras-chave


pedagogia histórico-crítica; formação de professores; educação a distância; teorias pedagógicas.

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DOI: https://doi.org/10.14295/momento.v27i2.8068

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MOMENTO - Diálogos em Educação, E-ISSN 2316-3100, Rio Grande/RS, Brasil

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