Ginástica Laboral como prática corporal em uma oficina de geração de trabalho e renda

Autores

  • Bêlit Arsevenco Coitinho
  • Cleni Terezinha Paula Alves
  • Tiago Ferreira
  • Jaqueline Ferri
  • Kátia Barfknecht

Palavras-chave:

Ginástica Laboral, Oficina de Trabalho Renda, Qualidade de Vida

Resumo

“Muito tempo em pé!” Essa é a observação dos usuários da saúde mental em uma oficina de geração de renda que produz velas. Duas horas em pé, ora em frente ao fogão, ora em frente à mesa, manejando cuidadosamente materiais que exigem atenção e precisão nos movimentos. Atentas a essas observações, terapeuta ocupacional e professores de educação física propuseram aos usuários um momento para reflexão sobre o processo de trabalho desta oficina. Esta oficina tratava-se de uma parceria entre o Centro de Atenção Psicossocial – CAPS do Hospital de Clínicas de Porto Alegre – HCPA, serviço aberto e comunitário para atendimento de pessoas com transtornos mentais graves com objetivo de reinserção social e GerAção, serviço que integra a política de saúde mental e saúde do trabalhador para a inclusão no trabalho de pacientes em tratamento nos serviços de saúde mental de Porto Alegre. A partir das queixas posturais de trabalho dos usuários desta oficina, desenvolvemos um momento para realização da ginástica laboral. A ginástica laboral pode ser definida como atividade física praticada pelos funcionários no local de trabalho, de forma coletiva ou não, na hora do expediente. É um programa de prevenção, cujo objetivo é a promoção da saúde dos trabalhadores (MILITÃO, 2001). Além disso, a literatura destaca benefícios também para as empresas como aumento da produtividade, diminuição da incidência de doenças ocupacionais, menores gastos com despesas médicas, redução dos números de erros e falhas. A ginástica laboral de relaxamento, tipo de ginástica laboral normalmente realizada ao final da jornada de trabalho, estimula a percepção do corpo e seus movimentos, auxilia no descanso e alívio das tensões e na ressignificação dos sentidos atribuídos às práticas corporais (STIGGER, 2002). Tendo em vista a complexidade e as intensas discussões sobre o conceito de saúde, destacamos a mais conhecida definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) do final dos anos 1940 como completo bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença ou enfermidade. As oficinas de trabalho em saúde mental e qualidade de vida estão intrinsicamente relacionadas porque ambas objetivam o aumento da autonomia e relações interpessoais. Qualidade de vida é a “condição humana resultante de um conjunto de parâmetros individuais e sócio-ambientais, modificáveis ou não, que caracterizam as condições em que vive o ser humano” (NAHAS, 2001 apud SIQUEIRA; NUNES; ZOBOLI, 2011). OBJETIVO: descrever uma proposta de ginástica laboral de relaxamento realizada com usuários de uma oficina de velas. METODO: realização de ginástica laboral de relaxamento ao final da oficina de velas, com duração de vinte minutos, por meio automassagem, exercícios respiratórios, de alongamento e abordagens sobre seus benefícios e importância de realização em outros momentos da rotina dos participantes. Esta prática foi realizada no período de março de 2010 a março do ano de 2014 e era conduzida pelos profissionais de Educação Física do CAPS/HCPA. Durante este período, os participantes referiam alívio do cansaço muscular, sensação de relaxamento e maior disposição para seguir suas tarefas diárias. Com o tempo a prática da ginástica laboral passou a se consolidar. Por vezes, durante a oficina de velas, os participantes verbalizavam suas expectativas e preferências em relação às propostas da próxima prática de ginástica laboral. CONCLUSÃO: a partir do relato dos usuários e em consonância com a produção científica existente, pode-se perceber a importância da prática da ginástica laboral de relaxamento para o trabalho, autonomia e qualidade de vida dos praticantes. Muitos participantes passaram a realizar a proposta como recurso de bem-estar físico, a partir do alívio da sensação de cansaço e tensão muscular, em outros momentos de sua vida. Alguns indivíduos associaram a prática à questão de saúde, outros a uma forma de escape para aliviar as pressões da vida e outros, como motivo de integração social, ressignificando os sentidos relacionados ao corpo e ao movimento.

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Biografia do Autor

Bêlit Arsevenco Coitinho

Professora de Educação Física.

Cleni Terezinha Paula Alves

Professora de Educação Física.

Tiago Ferreira

Professor de Educação Física.

Jaqueline Ferri

Terapeuta Ocupacional.

Kátia Barfknecht

Terapeuta Ocupacional.

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Publicado

2015-09-02

Como Citar

Coitinho, B. A., Alves, C. T. P., Ferreira, T., Ferri, J., & Barfknecht, K. (2015). Ginástica Laboral como prática corporal em uma oficina de geração de trabalho e renda. Revista Didática Sistêmica, 16(1), 427–429. Recuperado de https://periodicos.furg.br/redsis/article/view/5267

Edição

Seção

Resumo Expandido - GTT Saude