PESQUISA E INFÂNCIA:
da invisibilidade do passado aos desafios do presente e do futuro
DOI:
https://doi.org/10.63595/momento.v35i1.20621Palavras-chave:
Criança, Pesquisa, Conhecimento, Invisibilidade, ParticipaçãoResumo
Falar de infância e de processos de construção de conhecimento que assegurassem um lugar para as crianças foi, durante muito tempo, um aspeto bastante negligenciado, sendo que o contributo de áreas como a sociologia da infância, a pedagogia da infância ou então, de uma forma mais interdisciplinar, os estudos da criança, ao defenderem a infância e as crianças como objeto de estudo autónomo, foi fundamental, para assegurar um movimento que recolocasse as crianças desde ‘objetos’ medidos a ‘sujeitos participantes na pesquisa’ (autor, 2022). Este artigo pretende trazer elementos para caraterizar tal movimento, argumentando a partir de 3 andamentos - para além da subalternidade, para além do objetificação e para além do eticomicídio -, processos de construção de conhecimento com lugar para as crianças, enquanto sujeitos autores. O artigo mobilizará, ainda, ao longo dos três andamentos aqui identificados, alguns desafios emergentes, de modo a partilhar reflexões que permitam aos investigadoras da infância o desenvolvimento de quadros concetuais e metodológicos para um melhor enfrentamento das complexidades com que as crianças do século XXI se confrontam.
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