“O QUE ME DÓI É VER AS CRIANÇAS NAS CAÇAMBAS”

criações docentes e desigualdades em tempos de Covid-19

Autores

  • Ana Gabriela da Silva Vieira Universidade Federal de Pelotas - UFPel
  • Eduardo Garralaga Melgar Junior Universidade Federal de Rio Grande e Prefeitura Municipal de Pelotas
  • Marcio Caetano Universidade Federal de Pelotas http://orcid.org/0000-0002-4128-8229

Resumo

As situações emergenciais inauguradas com a pandemia de Covid-19 nos obrigaram a conjecturar sobre as dinâmicas de sociabilidades e os modos como elas se constituem na vida em meio à letalidade do vírus Sars-CoV-2 e das necropolíticas em curso no Brasil. Em várias cidades pelo país, a alternativa encontrada foi o ensino remoto e, em outras, dada a exclusão digital, as escolas instituíram práticas educativas possíveis com vista a manter os vínculos com as crianças. Com atenção a esse cenário, nosso objetivo é interrogar as experiências docentes, em contextos socioeconômicos desiguais que marcam a cidade de Pelotas, interior do estado do Rio Grande do Sul, sobre o acesso de estudantes as tecnologias de ensino remoto ou práticas educativas possíveis propostas pela Secretaria Municipal de Educação e Deporto. Para isso, foram realizados diálogos informais com docentes e equipes pedagógicas diretivas, por meio de aplicativos de conversas instantâneas, a exemplo de WhatsApp, a fim de discutir suas experiências acerca do ensino remoto e das possibilidades no que diz respeito ao auxílio e manutenção de vínculo com as/os estudantes. As ponderações, balizadas nas contribuições de Michel Foucault, Judith Butler e Achille Mbembe expõem que a pandemia acentuou o drama vivido pelas populações empobrecidas, desnudando o cenário violento das necropolíticas neoliberais que desmantelaram as políticas sociais nos últimos anos.

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Biografia do Autor

Ana Gabriela da Silva Vieira, Universidade Federal de Pelotas - UFPel

Doutoranda em Educação na linha de Epistemologias Descoloniais, Educação Transgressora e Práticas de Transformação do Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de Pelotas. Mestre em Educação na linha de Epistemologias Descoloniais, Educação Transgressora e Práticas de Transformação do Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de Pelotas. Possui Graduação em História -Licenciatura pela Universidade Federal de Pelotas. Integra o Grupo de Pesquisa Políticas do Corpo e Diferenças -POC'S.

Eduardo Garralaga Melgar Junior, Universidade Federal de Rio Grande e Prefeitura Municipal de Pelotas

Doutor em Educação em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências (FURG). Possui graduação em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal do Pampa (2010) e mestrado em Educação pela Universidade Federal do Pampa (2014). Atualmente é orientador educacional da Escola Municipal de Ensino Fundamental Jeremias Fróes, Pelotas/RS e integra o Grupo de Pesquisa Políticas do Corpo e Diferenças -POC's. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: educação de jovens e adultos, língua estrangeira para crianças, formação de professores, educação e tecnologia da informação e comunicação.

Marcio Caetano, Universidade Federal de Pelotas

Pós-doutor Educação, com apoio do PNPD-CAPES, pelo o Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Coordenador do Centro de Memória LGBTI João Antônio Mascarenhas (UFPEL/UFES). Graduado em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com mestrado e doutorado em educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Docente na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), orienta investigações desenvolvidas no Programa de Pós-graduação em Educaçãoda mesma Instituição. Os seus temas de interesse e pesquisa são: 1. currículos e culturas; 2. masculinidade(s) e 3. população lésbica, gay, bissexual, travesti e transexual e 4. estudos decoloniais e subalternos.

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Publicado

2021-09-29

Como Citar

Vieira, A. G. da S. ., Melgar Junior, E. G., & Caetano, M. (2021). “O QUE ME DÓI É VER AS CRIANÇAS NAS CAÇAMBAS”: criações docentes e desigualdades em tempos de Covid-19. Momento - Diálogos Em Educação, 30(02), 133–153. Recuperado de https://periodicos.furg.br/momento/article/view/13168

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