A escola como território de circulação das diferenças: práticas e saberes religiosos em pauta

Sandra Kretli da Silva, Teresinha Maria Schuchter

Resumo


Este artigo discute os desafios do trabalho com o currículo escolar a partir do conceito de tradução cultural de Homi Bhabha e dos modos de proceder no cotidiano segundo Michel de Certeau. Problematiza ordenamentos legais no que tange ao ensino religioso e os embates políticos em torno de sua elaboração, apontando para um projeto hegemônico que cria mecanismos para se manter no contexto atual de recrudescimento do conservadorismo. Utiliza como metodologia a pesquisa bibliográfica e documental e a análise da discursividade como forma de compreender esses embates e propor formas/forças que rompam com a ideia da diferença como monstro. Aponta que monstros são o mau encontro, a falta de riso, de afeto, de pensar diferente e de ter um espaçotempo para ser o que quiser, para acreditar no que quiser acreditar, para ser criança, para viver como criança.

Palavras-chave


Tradução cultural. Ensino religioso. Diferença.

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DOI: https://doi.org/10.14295/momento.v28i1.8759

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MOMENTO - Diálogos em Educação, E-ISSN 2316-3100, Rio Grande/RS, Brasil

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