ENUNCIAÇÕES SOBRE GÊNERO NA EDUCAÇÃO INFANTIL EM TEMPOS DE CONSERVADORISMO

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DOI:

https://doi.org/10.14295/de.v8i1.11442

Resumo

Este artigo discute narrativas de professoras regentes em atuação na educação infantil, problematizando se os efeitos performativos da enunciação “ideologia de gênero” afetaram (ou não) o trabalho docente com a infância. Deste modo, nos fundamentamos nos estudos de gênero pós-estruturalistas, principalmente com as autoras Butler, Scott, Finco, Felipe e Paechter. A produção de narrativas com as docentes da educação infantil pautaram-se pelos princípios de Arfuch, na operacionalização de entrevistas dialógicas. Entre os resultados, as docentes enunciaram incertezas no entendimento do conceito de gênero e apontaram a ausência de discussões sobre o tema na formação inicial, porém, interviam em situações que emergiam no cotidiano. Consideramos que, de certa forma, as professoras resistem ao conservadorismo imposto nesses tempos, mesmo que por vezes sejam também afetadas por ele.

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Biografia do Autor

Mariane de Almeida Bahiana, Secretaria Municipal de Educação da cidade do Rio de Janeiro (SME-RJ)

Licenciada em Educação Física e Especialista em Educação Física escolar na Perspectiva Inclusiva (EEFD- UFRJ). Professora da rede municipal da cidade do Rio de Janeiro (SME-RJ)

Leandro Teofilo de Brito, Colégio Pedro II

Licenciado em Educação Física (EEFD-UFRJ); Mestre em Educação (FE-UFRJ); Doutor e Pós-doutor em Educação (FE-UERJ); Docente EBTT do Colégio Pedro II (CP2)

Michele Pereira de Souza da Fonseca, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Licenciada em Educação Física (EEFD-UFRJ); Mestra e Doutora em Educação (FE-UFRJ). Professora Adjunta da Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEFD-UFRJ)

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Publicado

2020-08-16

Como Citar

Bahiana, M. de A., Brito, L. T. de, & Fonseca, M. P. de S. da. (2020). ENUNCIAÇÕES SOBRE GÊNERO NA EDUCAÇÃO INFANTIL EM TEMPOS DE CONSERVADORISMO. Diversidade E Educação, 8(1), 48–69. https://doi.org/10.14295/de.v8i1.11442

Edição

Seção

Dossiê: Gênero, sexualidade e trabalho docente