MARCAS DE UMA CULTURA LESBOFÓBICA EM NARRATIVAS DE DOCENTES LÉSBICAS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14295/de.v8i1.11398

Resumo

Este artigo analisa como, no espaço escolar, fomenta-se ou contesta-se a lesbofobia a partir de narrativas de professoras lésbicas. Como base teórica, recorre-se a discussões do campo da Sociologia da Moral, bem como ao conceito de lesbofobia que, para Lorenzo (2012) é uma construção cultural que funciona como o mecanismo político de opressão, dominação e subordinação social das lésbicas. A metodologia envolveu entrevistas com quatro professoras da região metropolitana de Porto Alegre/RS que atuam na Educação Básica. As análises mostraram que, via de regra, a escola é espaço que fomenta a lesbofobia, sendo as professoras lésbicas silenciadas quanto à sexualidade, consideradas desviantes frente a uma moral heteronormativa. Contudo, há pequenas aberturas no espaço da docência, nas relações entre professores, na tematização curricular de alguns aspectos da sexualidade. A própria existência de professoras lésbicas no âmbito de uma instituição moderna e moralizadora como a escola é uma forma potente de contestação.

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Biografia do Autor

Camila Bonin Liebgott, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Camila Bonin Liebgott, graduada em Licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Raquel Weiss, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutora em Filosofia pela USP - Departamento de Sociologia UFRGS.

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Publicado

2020-08-16

Como Citar

Bonin Liebgott, C., & Weiss, R. (2020). MARCAS DE UMA CULTURA LESBOFÓBICA EM NARRATIVAS DE DOCENTES LÉSBICAS. Diversidade E Educação, 8(1), 284–310. https://doi.org/10.14295/de.v8i1.11398

Edição

Seção

Dossiê: Gênero, sexualidade e trabalho docente