IDEOLOGIA DE GÊNERO E SEUS SENTIDOS: EMBATES HEGEMÔNICOS ACERCA DO ENSINO E DISCUSSÃO DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14295/de.v8i1.10914

Resumo

Este trabalho teórico-político discute a “ideologia de gênero” como um elemento discursivo de articulação transnacional. Nele, pretende-se abordar origem e constituição da mesma enquanto instrumento retórico que, desde 2014, tem causado um “pânico moral” nos segmentos sociais/políticos brasileiros. Ademais, procura-se apresentar outro sentido acerca do termo, em forma de conceito sociológico, ao mesmo tempo em que reitera uma perspectiva crítica. A partir da Teoria do Discurso, de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, pretende-se reflexionar a respeito dos significados e sentidos do referido elemento como uma ferramenta que põe em xeque o caráter democrático da educação, principalmente no que tange às ciências humanas. A metodologia de pesquisa utilizada é qualitativa, de caráter exploratório e aponta para a “ideologia de gênero” difundida em um momento agnotológico, na qual são institucionalizadas práticas de perseguição, censura e demonização dos sujeitos e grupos que trabalham com as teorias de gênero.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Silas Veloso de Paula Silva, Universidade Federal de Pernambuco

Graduação em Ciências Sociais (Licenciatura) na UFPE - Universidade Federal de Pernambuco. Mestrando em Educação pela UFPE/PPGEdu. Foi Bolsista do PET (Programa de Educação Tutorial) Encontros Sociais. Participou de projetos de extensão na área da antropologia cultural, ensino da sociologia, ensino e aprendizagem através do audiovisual e comunicação comunitária. Participou de produções audiovisuais como ator e na área de produção. Atualmente leciona as disciplinas de sociologia e filosofia no ensino de rede pública e privada. Além disso, tem cursado pós-graduação em Metodologia de ensino da filosofia e pesquisado sobre gênero e sexualidade no campo educacional.

Referências

ÁVILA, Maria Betânia. Direitos sexuais e reprodutivos: desafios para as políticas de saúde. Caderno de Saúde pública. Rio de Janeiro, v.19, n.2, ago./set. 2003. Disponível em:https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X2003000800027. Acesso em: 19. jun. 2020.

BERNINI, Lorenzo. A “teoria do gender” na Itália: um posicionamento circunstanciado sobre um significante flutuante. Psicologia Política, São Paulo, v. 18, n. 43, set./dez. 2018. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpp/v18n43/v18n43a07.pdf>. Acesso em: 22. jun. 2020.

BUTLER, Judith. Precisamos parar o ataque à “Ideologia de Gênero”. Sexuality Policy Watch, 2019. Disponível em: https://sxpolitics.org/ptbr/judith-butler-precisamos-parar-o-ataque-a-ideologia-de-genero/9094. Acesso em: 22. Jun. 2020.

CORREA, Sônia. Gender Ideology: tracking its origins and meanings in current gender politics. Engenderings, London School of Economics, December, 2017. Disponível em: <https://blogs.lse.ac.uk/gender/2017/12/11/gender-ideology-tracking-its-origins-and-meanings-in-current-gender-politics/#_ftn2>. Acesso em: 10. jan. 2020.

CORREA, Sonia; KALIL, Isabela. Políticas antigénero en américa latina: brasil – ¿la catástrofe perfecta? Observatorio de Sexualidad y Política (SPW), 2020. Disponível em: https://sxpolitics.org/GPAL/uploads/Ebook-Brasil%2020200204.pdf. Acesso em: 22 jun. 2020.

GLYNOS, Jason; HOWARTH, David. Explicação críticas em ciências sociais: a abordagem das lógicas. In: LOPES, Alice Cassimiro; OLIVEIRA, Ana Luiza Ramos Martins de; OLIVEIRA, Gustavo Gilson Souza de. A teoria do discurso na pesquisa em educação. Recife: Editora UFPE, 2018. p. 53-102.

KROSKA, Annie. Gender ideology and gender role ideology. In: RITZER, George. (Ed.). The Blackwell Encyclopedia of Sociology. Oxford: Blackwell Publishing. p.1867-1868, 2007.

Laclau, Ernesto e Mouffe Chantal. Hegemonia e Estratégia Socialista: por uma política democrática radical. 1. Ed. São Paulo: Editora Intermeios, 2015. 286 p.

LEITE, José Correa. Controvérsias científicas ou negação da ciência? A agnotologia e a ciência do clima. Scientiae Studia. São Paulo, v.12, n.1, jan./mar. 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S167831662014000100009&script=sci_arttext#:~:text=O%20prop%C3%B3sito%20da%20agnotologia%20seria,pontos%20da%20hist%C3%B3ria%22%20(Proctor%20%26. Acesso em: 22. jun. 2020.

LOPES, Alice Casimiro. Articulações de demandas educativas (im)possibilitadas pelo antagonismo ao “marxismo cultural”. Revista Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, Arizona State University, v. 27, n.109, set. 2019. Disponível em: https://epaa.asu.edu/ojs/article/view/4881. Acesso em: 22. jun. 2020.

LOURO, Lopes Guacira. Corpo Escola e Identidade. Educação e Realidade. Rio Grande do Sul, v.25, n.2, jul./dez. 2000b. Disponível em <https://seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/view/46833>. Acesso em: 22. jun. 2020.

LOURO, Lopes Guacira. O corpo educado: pedagogias da sexualidade. 2. ed. Belo Horizonte: Autência Editora, 2000a. 127. p

MIGUEL, Luis Felipe. Da “doutrinação marxista” à "ideologia de gênero" - Escola Sem Partido e as leis da mordaça no parlamento brasileiro. Direito e Práxis Revista. Rio de Janeiro, v. 7, n. 15, ago. 2016. Disponível em: https://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/revistaceaju/article/view/25163/18213.Acesso em: 12 mai. 2020.

MISKOLCI, Richard. Pânicos morais e controle social – reflexões sobre o casamento gay*. Cadernos Pagu. v.1 n. 28, jan./mar. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/cpa/n28/06.pdf. Acesso em: 22. jun. 2020.

OLIVEIRA, Ana Luiza Ramos Martins de; OLIVEIRA, Gustavo Gilson Souza de. Novas tentativas de controle moral da educação: conflitos sobre gênero e sexualidade no currículo e na formação docente. Educação Tunisinos, v. 22, n.1, jan./mar.,2010. Disponível em: http://revistas.unisinos.br/index.php/educacao/article/view/edu.2018.221.02. Acesso em: 22. jun. 2020.

OLIVEIRA, Gustavo Gilson de. Provocações para aguçar a imaginação/invenção analítica: aproximações entre a teoria política dos discurso e análise do discurso em educação. In: LOPES, Alice Cassimiro; OLIVEIRA, Ana Luiza Ramos Martins de; OLIVEIRA, Gustavo Gilson Souza de. A teoria do discurso na pesquisa em educação. Recife: Editora UFPE, 2018. p. 169-216.

PATERNOTTE, David e KUHAR, Roman. "Ideologia de gênero" em movimento. Psicologia Política, São Paulo, v. 18, n. 43, set./dez. 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-549X2018000300005. Acesso em: 19. jun. 2020.

PRADO, Marco e CORREA, Sonia. Retratos transnacionais e nacionais das cruzadas antigênero. Psicologia Política, São Paulo, v. 18, n. 43, set./dez. 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpp/v18n43/v18n43a03.pdf. Acesso em: 19. mar. 2020.

PROCTOR, Robert N. Agnotology: a missing term to describe the cultural production of ignorance (and its study). In: ROBERT N. Proctor e LONDA Schiebinger. Agnotology: the making and unmaking of ignorance. Stanford: Stanford University Press, 2008. p. 02-36.

RAMÍREZ, Arguedas Gabriela. “Ideología de género”, lo “post-secular”, el fundamentalismo neopentecostal y el neointegrismo católico: la vocación antidemocrática. Observatorio de Sexualidad y Política (SPW), 2020. Disponível em: https://sxpolitics.org/GPAL/uploads/Ebook-Apartado%2020200203.pdf. Acesso em: 07 mai. 2020.

REIS, Toni; EGGERT Edla. Ideologia de gênero: uma falácia construída sobre os planos de educação brasileiros. Educ. Soc., v. 38, n. 138, p.9-26, jan.-mar, 2017.

MISKOLCI Richard e CAMPANA Maximiliano. “Ideologia de gênero”: notas para a genealogia de um pânico moral contemporâneo. Revista Sociedade e Estado, v.32, n.3, set./dez. 2017.

SCALA, J. Ideologia de Gênero: o neototalitarismo e a morte da família. São Paulo: Katechesis, 2011. 200 p.

SILVA, Silas Veloso de Paula. Diversidade de gênero e “Ideologia de gênero” na educação: estudo de caso em uma escola do Recife. 2019. 71.f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso em Ciências Sociais), Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2019.

SILVA, Silas Veloso de Paula; NARA, Isabela Costa Alves; BARRETO, Fernanda Gueiros Vidal. “Ideologia de gênero” e escola sem partido: desafios do ensino da sociologia na política brasileira a partir dos embates hegemônicos em torno da educação. Revista Diversidade e Educação. V. 8, n.1, (no prelo).

VIANNA, Cláudia Pereira.; RIDENTI, Sandra. Relações de gênero e escola: das diferenças ao preconceito. In: AQUINO, Julio G. (Org.). Diferenças e preconceito na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1998, p.93-105.

Downloads

Publicado

2020-08-16

Como Citar

Silva, S. V. de P. (2020). IDEOLOGIA DE GÊNERO E SEUS SENTIDOS: EMBATES HEGEMÔNICOS ACERCA DO ENSINO E DISCUSSÃO DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO. Diversidade E Educação, 8(1), 400–426. https://doi.org/10.14295/de.v8i1.10914