DOCÊNCIA NEGRA: REPRESENTATIVIDADE E PERSPECTIVAS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14295/de.v8i2.11766

Resumo

Este estudo fez um levantamento sobre a autodeclaração dos discentes, a presença de docentes negros, além da intenção e dificuldade em continuidade na pós-graduação. A coleta de dados ocorreu por meio de formulário com discentes dos cursos de Enfermagem, Medicina e Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco, campus Recife - Pernambuco. Os resultados demonstram um considerável percentual de estudantes brancos e um alto percentual de percepção de docentes negros por parte dos discentes. Porém, não é possível atestar que houve um aumento na quantidade de professores negros na graduação ao longo dos anos. Em relação à continuidade na pós-graduação, isso se constitui o desejo da maior parte dos estudantes. Entretanto, a pouca oferta de bolsas é um fator limitante para 58,8% dos discentes pretos. Tais resultados foram discutidos considerando os dados presentes na literatura científica, compreendendo o racismo estrutural e institucional presente na educação superior no Brasil.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Nayara Kelly de Melo Silva, Universidade Federal de Pernambuco

Graduanda de Odontologia, Universidade Federal de Pernambuco - Recife, Pernambuco

Saulo Cabral dos Santos, Universidade Federal de Pernambuco

Professor Doutor do departamento de Prótese e Cirurgia Buco Facial, no curso de Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco - Recife, Pernambuco

Referências

ALMEIDA, Silvio. Racismo Estrutural. São Paulo: Polén, 2019. 192 p. (Feminismos Plurais).

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES NEGROS. Quem somos. Disponível em: https://www.abpn.org.br/quem-somos. Acesso em: 18 jul 2018.

ARBOLEYA, Arilda; CIELLO, Fernando; MEUCCI, Simone. "Educação para uma vida melhor": trajetórias sociais de docentes negros. Caderno de Pesquisa, São Paulo, v. 45, n. 158, p. 882-914, out./dez. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010015742015000400882&lang=pt#fn3. Acesso em: 21 jul. 2018.

ARTES, Amélia; MENA-CHALCO, Jésus. Expansão da temática relações raciais no banco de dados de teses e dissertações da Capes. Educação e Pesquisa, São Paulo, vol. 43, n. 4, out./dez. 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1517-97022017000401221&lang=pt#B17. Acesso em: 27 jul. 2018

A VOZ DA RAÇA. São Paulo, 03 fev. 1934. Disponível em: http://biton.uspnet.usp.br/imprensanegra/index.php/a-voz-da-raca/a-voz-da-raca-03021934/ Acesso em: 11 out. 2020

BRASIL. Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 30 ago. 2012. Seção 1, p. 1.

BISSIGO, Diego Nones. A “eloquente e irrecusável linguagem dos algarismos”: a estatística no Brasil imperial e a produção do recenseamento de 1872. 2014. 203f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianopólis, 2014.

BUJATO, Isabela Ariane; SOUZA, Eloisio Moulin. O contexto universitário enquanto mundo do trabalho segundo docentes negros: diferentes expressões de racismo e como elas acontecem. Revista Eletrônica de Administração. Porto Alegre, v. 26, n.1, p. 210 – 237. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-23112020000100210&lang=pt. Acesso em: 05 out. 2020.

CARAN, Vânia Claudia Spoti et. al. Assédio moral entre docentes de instituição pública de ensino superior do Brasil. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 23, n. 6, 2010, p. 737-744. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-21002010000600004. Acesso em: 05 out. 2020.

CARVALHO, José Jorge. A luta anti-racista dos acadêmicos deve começar no meio acadêmico. Série Antropologia UnB, Brasília, n. 394, 2006. Disponível em: http://www.dan.unb.br/images/doc/Serie394empdf.pdf. Acesso em: 30 jan. 2019.

CARVALHO, José Jorge. As Ações Afirmativas como resposta ao racismo acadêmico e seu impacto nas Ciências Sociais Brasileiras. Revista Teoria e Pesquisa, Rio de Janeiro, v. 42 e 43, jan./jul. 2003. Disponível em http://flacso.redelivre.org.br/files/2013/03/1071.pdf. Acesso em: 03 ago. 2018.

CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS (CGEE). Mestres 2012: estudos da demografia da base técnico-científica brasileira. Brasília: CGEE, 2012. 428 p. Disponível em: https://www.cgee.org.br/documents/10195/734063/Mestres2012%28corrigido_18jun2013%29_9536.pdf. Acesso em: 29 set. 2020.

DAFLON, Verônica Toste; JUNIOR, João Feres; CAMPOS, Luiz Augusto. Ações afirmativas raciais no ensino superior público brasileiro: um panorama analítico. Cadernos de Pesquisa. Rio de Janeiro, v. 43, n. 148, jan./abr. 2013, p. 302-327. Disponível em: http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/261/276. Acesso em: 05 fev. 2019.

DIRECTORIA GERAL DE ESTATÍSTICA (DGE). Relatorio e Trabalhos Estatisticos, apresentados ao illm. e exm. sr. Conselheiro Dr. José Bento da Cunha e Figueiredo, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império pelo Diretor Geral Conselheiro Manoel Francisco Correia em 31 de dezembro de 1876. Rio de Janeiro: Tipografia de Hyppolito José Pinto, 1877.

DINIZ, Rosa Virgínia; GOERGEN, Pedro. Educação Superior no Brasil: panorama da contemporaneidade. Avaliação (Campinas), Sorocaba, v. 24, n. 3, p. 573-593, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-40772019000300573&lang=pt. Acesso em: 12 out. 2020

DOMINGUES, Petrônio. Um "templo de luz": Frente negra brasileira (1931-1937) e a questão da educação. Revista Brasileira de Educação, v. 13, set./dec. 2008. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=27503908. Acesso em: 06 fev. 2019.

FERES JÚNIOR, João et al. Ação Afirmativa: conceito, história e debates. Rio de Janeiro: Ed. Uerj, 2008. 208 p. (Sociedade e Política).

FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes: o legado da raça branca. 5. ed. São Paulo: Globo, 2008. 440p.

FERREIRA, Ligia Fonseca. Luiz Gama por Luiz Gama: carta a Lúcio de Mendonça. Teresa, n. 8-9, p. 300-321, 2008.

FREYRE, Gilberto. Casa grande & senzala. 49 Ed. Recife: Global. 2004. 728p.

GASPAR, Lúcia; BARBOSA, Virgínia. Ações afirmativas e política de cotas no Brasil: uma bibliografia, 1999 – 2012. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2013.

GOFFMAN, Erving. Estigma: Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 4 Ed. São Paulo: Editora LTC. 160 p.

HOOKS, Bell. Ensinando a Transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Wmf Martins Fontes. 2013. 288p.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA – INEP. Sinopse Estatística da Educação Superior de 2017. Brasília: INEP, 2018. Disponível em: http://inep.gov.br/web/guest/sinopses-estatisticas-da-educacao-superior. Acesso em: 31 jan. 2019.

JAIME, Pedro; LIMA, Ari. Da África ao Brasil: Entrevista com o professor Kabengele Munanga. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 56, n. 1, p. 507-552, 2013. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/43854882?read-now=1&seq=20#page_scan_tab_contents. Acesso em: 30 jan. 2019.

JESUS, Carolina Maria. Diário de Bitita. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 206p.

LUNA, Franciso Vidal; COSTA, Iraci del Nero da. A presença do elemento Forro no conjunto de proprietários de escravos. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 32, n. 7, p. 836-841, 1980. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/109762962/A-presenca-do-elemento-forro-no-conjunto-de-proprietarios-de-escravos. Acesso em: 05 out. 2020.

MAAS, Lucas Wan Der. Análise comparativa da base social da medicina e enfermagem no Brasil entre os anos de 2000 e 2010. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, vol. 34, n. 3, 08 mar. 2018. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2018000305007&lang=pt. Acesso em: 22 jul. 2018.

MUNANGA, Kabengele. Educação e diversidade étnico-cultural: a importância da história do negro e da África no sistema educativo brasileiro. In: MÜLLER, Tânia Mara Pedroso; COELHO, Wilma de Nazaré Baía (orgs.). Relações étnico-raciais e diversidade. Niterói: Editora da UFF, Alternativa, 2013.

NABUCO, Joaquim. O Abolicionismo. São Paulo: Pubifolha, 2000. 193p.

PAIVA, Eduardo França. Alforrias. In: SCHWARCZ, Lilia; GOMES, Flávio (orgs.) Dicionário da Escravidão e Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. 92-98 p.

PAIXÃO, Marcelo. 500 anos de solidão: estudos sobre desigualdades raciais no Brasil. Curitiba: Appris, 2013. 337p.

PIRES. Maria Fernanda Chiari. Docentes Negros na Universidade pública brasileira: Docência e pesquisa como resistência e luta. 2014. 234f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2014.

OLIVEIRA, Edna Imaculana Inácio de; MOLINA, Rosane Maria Kreusburg. A ampliação da base social da educação superior no contexto do Centro universitário do leste de Minas Gerais: o caso do ProUni. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 93, n. 235, p. 743-769, set./dez. 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S2176-66812012000400011&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 04 fev. 2019

RIBEIRO, Djamila. Lugar de Fala. 1 ed. São Paulo: Polén Livros, 2019. 128p.

RIBEIRO, Maria Solange Pereira. O romper do silêncio: história e memória na trajetória escolar e profissional dos docentes afrodescendentes das Universidades Públicas do Estado de São Paulo. 2001. 217f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.

RISTOFF, Dilvo. Democratização do Campus Impacto dos programas de inclusão sobre o perfil da graduação. Cadernos do GEA, Rio de Janeiro, n. 9, jan./jun. 2016. Disponível em: http://flacso.org.br/files/2017/03/Caderno_GEA_N9_Democratiza%C3%A7% C3%A3o-do-campus.pdf. Acesso em: 21 jul. 2018.

ROESCH, Isabel Cristina Côrrea. Docentes negros: imaginários, territórios e fronteiras do ensino universitário. 2014. 253f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2014

SANTOS, Hélio; SOUZA, Marcilene Garcia de; SASAKI, Karen. O subproduto social advindo das cotas raciais na educação superior do Brasil. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (online), Brasília, v. 94, n. 237, p. 542-563, maio/ago. 2013. Disponível em: http://www.emaberto.inep.gov.br/index.php/rbep/article/view/377. Acesso em: 18 mar. 2016

SILVA, Denize Aparecida da. “Plantadores de raiz”: Escravidão e compadrio nas freguesias de Nossa Senhora da Graça de São Francisco do Sul e de São Francisco Xavier de Joinville – 1845/1888. 2004. 121f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2014

SILVA, Luara dos Santos. Negro, intelectual e professor: Hemetério José dos Santos e as questões raciais de seu tempo (1875 – 1920). In: ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA DA ANPUH-RIO: SABERES E PRÁTICAS CIENTÍFICAS, 16., 2014. Anais [...] Rio de Janeiro: 2014. p. 1-12. Disponível em: http://www.encontro2014.rj.anpuh.org/resources/anais/28/1400476138_ARQUIVO_textoAnpuhfinal.pdf. Acesso em: 05 fev. 2019

SILVA, Carla Aparecida. Aprendizagens outras com as narrativas de Esperança Garcia: memória e luta de mulheres escravizadas no Brasil. In: JORNADAS NACIONALES, 13. CONGRESO IBEROAMERICANO DE ESTUDIOS DE GÉNERO, 8. Anais [...] Buenos Aires: 2018. p. 1-8. Disponível em: http://eventosacademicos.filo.uba.ar/index.php/JNHM/XIII-VIII-2017/paper/view/3584. Acesso em: 05 out. 2020.

SILVA, Joselina da; EUCLIDES, Maria Simone. Falando de gênero, raça e educação: trajetórias de professoras doutoras negras de universidades públicas dos estados do Ceará e do Rio de Janeiro (Brasil). Educ. rev., Curitiba, v. 34, n.70, p. 51-66, jul/ago. 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0104-4060.58760. Acesso em: 05 out. 2020.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espetáculo das raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil 1870-1930. 1 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. 373p.

SOUZA, et. al. Perfil socioeconômico e cultural do estudante ingressante no Curso de Graduação de Enfermagem. Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, v. 21, n 2, p. 718-722, dez. 2013. Disponível em: http://www.facenf.uerj.br/v21esp2/v21e2a04.pdf. Acesso em: 05 out. 2020.

SPINDOLA, Thelma; MARTINS, Elizabeth Rose da Costa; FRANCISCO, Márcio Tadeu Ribeiro. Enfermagem como opção: perfil de graduandos de duas instituições de ensino. Rev. bras. enferm., Brasília, v. 61, n. 2, p. 164-169, abr. 2008. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672008000200004. Acesso em: 05 de out. 2020.

TAVARES, Isabel; BRAGA, Maria Lúcia de Santana.; LIMA, Betina Stefanello. Análise sobre a participação de negras e negros no sistema científico. CNPQ, 201?. Disponível em: http://www.cnpq.br/documents/10157/1f95db49-f382-4e22-9df7-933608de9e8d. Acesso em: 13 out. 2020

VARGAS, Hustana Maria. Sem perder a majestade: “profissões imperiais” no Brasil. Revista Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 15, n. 28, p. 107-124, 2010. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/estudos/article/view/2553/2173. Acesso em: 05 out. 2020.

WICKBOLD, Christiane Curvelo; SIQUEIRA, Vera. Política de cotas, currículo e a construção identitária de alunos de Medicina de uma universidade pública. Pro-Posições, Campinas, v. 29, n. 1, p. 83-105, abr. 2018. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-73072018000100083&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 21 jul. 2018.

WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Letramento e escolas. In: SCHWARCZ, Lilia; GOMES, Flávio. Dicionário da Escravidão e Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018, p. 292 – 297.

Downloads

Publicado

2021-01-15

Como Citar

de Melo Silva, N. K., & Santos, S. C. dos. (2021). DOCÊNCIA NEGRA: REPRESENTATIVIDADE E PERSPECTIVAS. Diversidade E Educação, 8(2), 390–413. https://doi.org/10.14295/de.v8i2.11766