EDUCAÇÃO SEXUAL NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: ATITUDES DE PROFESSORES DIANTE DE SITUAÇÕES PROJETIVAS ENVOLVENDO COMPORTAMENTOS SEXUAIS DE ALUNOS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14295/de.v8i1.11307

Resumo

A Educação Sexual é uma dificuldade para muitos professores nas escolas inclusivas. Este estudo investigou as possíveis atitudes de 55 professores portugueses diante de seis situações projetivas envolvendo o público alvo da educação especial, apresentadas em um questionário, envolvendo diferentes comportamentos sexuais de alunos: autoerotismo (deficiência intelectual- DI), toques indevidos (cego/deficiência visual-DV), beijo/namoro (surdez- S), abuso sexual (deficiência física- DF), pergunta sobre sexo na aula (deficiência múltipla- DM) e exibicionismo (autismo-TEA).  Diante das situações, as atitudes mais frequentes relatadas pelos professores foram: o “diálogo acolhedor” (TEA e DM), “pedir ajuda” (DF e TEA) e “corrigir comportamentos” (DI e DV); eles não se omitem diante dos comportamentos, mas não refletem porque eles ocorreram, nem como poderiam preveni-los. Conclui-se que, apesar de uma postura favorável à Educação Sexual na escola, é importante investir na formação continuada e as situações projetivas foram procedimentos úteis no levantamento dessa necessidade.

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Biografia do Autor

Ana Claudia Bortolozzi, Universidade Estadual Paulista JUlio de Mesquita Filho- UNESP

Psicóloga. Doutora Educação. Livre Docente em Educação Sexual, Inclusão e Desenvolvimento Humano. Departmento de Psicologia. Atua na Pós-Graduação em Educação.

Teresa Vilaça, INSTITUTO DE EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE DO MINHO BRAGA

Doutorado

Departamento de Estudos Integrados de Literacia, Didáctica e Supervisão. Instituto de Educação.

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Publicado

2020-08-16

Como Citar

Bortolozzi, A. C., & Vilaça, T. (2020). EDUCAÇÃO SEXUAL NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: ATITUDES DE PROFESSORES DIANTE DE SITUAÇÕES PROJETIVAS ENVOLVENDO COMPORTAMENTOS SEXUAIS DE ALUNOS. Diversidade E Educação, 8(1), 190–211. https://doi.org/10.14295/de.v8i1.11307

Edição

Seção

Dossiê: Gênero, sexualidade e trabalho docente