QUANDO HÁ CENSURA EM ARTE CONTEMPORÂNEA: REFLEXÕES SOBRE A ARTE-EDUCAÇÃO NUMA PERSPECTIVA ANTIDISCRIMINATÓRIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14295/de.v8i1.11206

Resumo

Incitado pela necessidade de reflexão frente à polêmica pública decorrente da presença de crianças e imagens de infâncias em proposições artísticas realizadas no Brasil em finais de 2017, o presente artigo aponta para a importância da ampliação da conversação acerca das especificidades ético-estéticas de certas obras como possibilidade formativa numa perspectiva antidiscriminatória. Por compreender que o extravasamento do campo das artes e a crítica de sua circunscrição institucional caracterizam-se, historicamente, como próprios à arte contemporânea, tomo o pensar a arte e as imagens no seu enlaçamento com a vida como constituinte da reflexão provocada por determinadas produções. Observando tal característica como desafiadora a arte-educadoras e arte-educadores comprometidas, comprometides e comprometidos com a construção relacional respeitosa com distintos modos do ser e do viver o corpo, o gênero e a sexualidade em nossa sociedade, faço por fim alguns apontamentos a partir de uma pesquisa realizada com estudantes da Universidade de São Paulo.

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Biografia do Autor

Juliana Salles de Siqueira, Universidade de São Paulo

Historiadora pela Universidade Federal de Ouro Preto (2008), mestra em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea pela Universidade Federal de Minas Gerais (2012), doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo.

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Publicado

2020-08-16

Como Citar

de Siqueira, J. S. (2020). QUANDO HÁ CENSURA EM ARTE CONTEMPORÂNEA: REFLEXÕES SOBRE A ARTE-EDUCAÇÃO NUMA PERSPECTIVA ANTIDISCRIMINATÓRIA. Diversidade E Educação, 8(1), 127–143. https://doi.org/10.14295/de.v8i1.11206

Edição

Seção

Dossiê: Gênero, sexualidade e trabalho docente