Se sofrer LGBTfobia na universidade, denuncie! O Queer Punitivista no Contexto de Precarização do Trabalho

Autores

  • Igor Leonardo de Santana Torres Universidade Federal da Bahia
  • Felipe Bruno Martins Fernandes Universidade Federal da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.14295/de.v5i2.7526

Resumo

Denunciamos nesse artigo a consolidação de um queer punitivista, resultado da assimilação, conformismo e institucionalização da teoria queer na universidade brasileira nos últimos dez anos, nos moldes neoliberais. Para tal, partimos de um caso concreto em que um estudante bicha denunciou um trabalhador terceirizado, resultando em amplo apoio de grupos e coletivos queer à bicha e em um clamor por punição do trabalhador. A partir da articulação entre o feminismo negro, o queer radical e o feminismo materialista, refletimos sobre o lugar do queer na compreensão do mundo do trabalho em tempos de neoliberalismo e fascismo. Tomando a punição como ferramenta neoliberal de gestão da diversidade, ressaltamos a necessidade de radicalizar o queer, retomando seu projeto anticapitalista, antiracista e anticlassista, posicionando a luta contra o heterossexismo como instrumento de transformação social ampla.

Palavras-Chave: Teoria Queer, Gênero, Sexualidade, Universidade, Punição.

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Biografia do Autor

Igor Leonardo de Santana Torres, Universidade Federal da Bahia

Graduando em Estudos de Gênero e Diversidade, na Universidade Federal da Bahia. Atua principalmente nos seguintes temas: feminismos, estudos queer, subjetividade, gênero e sexualidade.

Felipe Bruno Martins Fernandes, Universidade Federal da Bahia

É professor da Universidade Federal da Bahia no Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade. Líder do Gira - Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação. Mestre em Educação pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande (2007) onde, como integrante do Grupo de Estudos Sexualidade e Escola (GESE), defendeu sua dissertação sobre a construção da identidade ativista gay no Brasil. Doutor em Ciências Humanas, área de Estudos de Gênero, pela Universidade Federal de Santa Catarina (2011) (com estágio doutoral no Center for Lesbian and Gay Studies -CLAGS da City University of New York -CUNY) e integrante do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS), defendeu sua tese sobre as Políticas educacionais implementadas nas duas gestões do governo Lula, através do Programa Federal Brasil Sem Homofobia. Possui pós-doutorado em Estudos de Gênero (PPGICH/UFSC), em Anthropologie Sociale (EHESS/Toulouse) e em Antropologia da Educação (PPGAS/UFSC). Seus interesses de pesquisa são as políticas públicas de gênero e sexualidades, bem como práticas de associativismo em movimentos LGBTTT e feministas. Suas áreas principais de interesse são Ensino de Gênero, Sexualidades e Antropologia.

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Publicado

2018-03-18

Como Citar

de Santana Torres, I. L., & Martins Fernandes, F. B. (2018). Se sofrer LGBTfobia na universidade, denuncie! O Queer Punitivista no Contexto de Precarização do Trabalho. Diversidade E Educação, 5(2), 40–60. https://doi.org/10.14295/de.v5i2.7526

Edição

Seção

Diversidade em Debate