Agenda 21 do município de Magé-RJ e suas interfaces com a nova pedagogia da hegemonia

Anne Kassiadou Menezes, Carlos Frederico Bernardo Loureiro, Celso Sánchez Pereira

Resumo


O artigo analisa a proposta da Agenda 21 de Magé, município do estado do Rio de Janeiro. A argumentação é feita sob a ótica da educação ambiental crítica, com objetivo de compreender a utilização da Agenda para a conformação da hegemonia discursiva neodesenvolvimentista na região. A partir da análise documental, identificam-se premissas pedagógicas que direcionam discursos para uma perspectiva que naturaliza o padrão de desenvolvimento e apaga conflitos ambientais. Afirmamos que a nova pedagogia da hegemonia incentiva movimentos de caráter voluntário ao invés da construção pública da política ambiental e do enfrentamento de conflitos ambientais. Afirmamos ser possível, por meio da educação ambiental crítica, criar alternativas e possibilidades de disputas, no sentido de contribuir com processos de construção de uma outra hegemonia, pautados nos conflitos ambientais que se apresentam como eixo estruturante de propostas pedagógicas voltadas à justiça ambiental.

Palavras-chave


Agenda 21 de Magé; Pedagogia da Hegemonia; Educação Ambiental Crítica

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DOI: https://doi.org/10.14295/remea.v34i1.6537

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