LIÇÕES DE SUSTENTABILIDADE EM UM JORNAL BRASILEIRO

Edgar Roberto Kirchof, Maria Lúcia Castagna Wortmann, Iara Tatiana Bonin

Resumo


O estudo envolveu a análise de 55 exemplares do suplemento Nosso Mundo Sustentável, do jornal Zero Hora de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil no período de janeiro de 2010 a março de 2011. Este suplemento possui,
à época, o patrocínio da Companhia Souza Cruz, líder de vendas no mercado brasileiro de cigarros e subsidiária
do grupo internacional British American Tobacco. Deste corpus, foram selecionadas 20 reportagens que dão destaque à construção de um mundo sustentável. Sob inspiração de Zygmunt Bauman (2008) e Bruno Latour(2001), entre outros autores dos Estudos Culturais de Ciência e Tecnologia, o estudo teve como objetivo discutir a noção de sustentabilidade proposta neste suplemento e, para tal, foram formuladas as seguintes questões: quais ações são propostas para o desenvolvimento de uma consciência ecologicamente sustentável? Como a questão da sustentabilidade é inserida, através da mídia escrita, no cotidiano das pessoas? De que formas as instituições gaúchas são convocadas a se engajar nesta grande questão mundial? Quais ações, proposições, atitudes, valores são vinculados à noção de sustentabilidade ambiental? Cabe registrar o papel constitutivo que as
produções midiáticas têm na vida das sociedades contemporâneas e a sua participação na produção de sujeitos ecologicamente corretos, capazes de assumir condutas sustentáveis. Observou-se que, em inúmeras reportagens, a sustentabilidade é representada como uma oportunidade para que se repensem modelos de negócios, bem como processos e tecnologias de produção e os próprios produtos deles decorrentes, tal como salientou Susan Svoboda, uma das criadoras do Green Transformation Lab, em entrevista ao jornal brasileiro Folha de São Paulo (28/12/2010). Nesse suplemento jornalístico ensina-se a refrescar a casa sem esquentar o planeta; a fazer sapatos reciclados; a proteger mananciais de água; a redecorar os espaços, criando Oasis em meio a desertos de escritórios; a reciclar garrafas pet e a reorganizar a vida cotidiana para evitar descarte, sem deixar de consumir. Ou seja, as proposições tanto direcionam-se a práticas individuais, quanto coletivas. Neste caso, ensinam-se os pecuaristas a reduzirem o impacto da criação de gado; estimula-se uma população local a utilizar recursos públicos para proteger áreas verdes, ou a fazer uso de créditos do mercado de carbono. Além disso, o suplemento convoca celebridades brasileiras a lançarem-se na defesa de causas ambientais, seguindo uma tendência mundial.

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DOI: https://doi.org/10.14295/remea.v27i0.3493

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