ENTRE O SILENCIAMENTO E A MEDIAÇÃO:
a educação de surdos no sistema prisional brasileiro à luz da teoria histórico-cultural
DOI:
https://doi.org/10.63595/momento.v35i2.20855Palavras-chave:
Ação Afirmativa, Acesso à Educação, Educação Bilíngue de Surdos, Políticas de Inclusão SocialResumo
O presente estudo tem como objetivo analisar os processos educativos vivenciados por sujeitos surdos em contexto prisional, com ênfase no papel da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como mediadora do desenvolvimento humano e da inserção social. Fundamentado na perspectiva histórico-cultural, especialmente nas contribuições de Lev Vigotski, compreende-se a língua como elemento central na constituição das funções psicológicas superiores. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, realizada com cinco sujeitos surdos do sexo masculino, participantes de projetos educacionais desenvolvidos no sistema prisional da região Sul do país, cuja localização específica não é divulgada por questões éticas. Os participantes foram identificados por vogais: A, E (Ensino Fundamental I), I, O (Ensino Fundamental II) e U (programa de inserção no mercado de trabalho), sendo que dois deles já se encontram em liberdade. A produção de dados ocorreu por meio de entrevistas realizadas em fevereiro de 2026. A análise evidenciou que a ausência ou limitação do acesso à Libras compromete significativamente os processos de escolarização e desenvolvimento, enquanto sua presença qualifica as possibilidades de mediação pedagógica, ampliação da consciência e reinserção social. Os resultados apontam para a necessidade de consolidação de políticas linguísticas e educacionais que reconheçam a Libras como língua de instrução no contexto prisional, garantindo condições efetivas de desenvolvimento aos sujeitos surdos.
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