QUERER E PODER FACE AOS DESAFIOS SÓCIO-AMBIENTAIS DO SÉCULO XXI

Sírio Lopez Velasco

Resumo


A grande pergunta do século XXI pode ser resumida como segue: “A questão é saber se podemos tudo aquilo que queremos e se queremos tudo aquilo que podemos”. No meu entendimento boa parte dos desafios sócio-ambientais do século XXI são pensáveis e devem ser pensados a partir dessa sentença, merecedora de toda a atenção por parte da educação ambiental em todas as suas formas. Embora se possa se definir o “meio ambiente” como o conjunto dos processos abióticos e bióticos existentes na Terra e onde alcançar a influência da ação humana, por minha parte, tentando enfatizar que sem o aspecto social não há abrangência efetiva do “meio ambiente” na sua totalidade, o tenho definido como sendo o espaçotempo histórico ocupado pelos entes onde transcorre a vida dos seres humanos; ele é simultaneamente a condição e o resultado histórico da interação dos humanos com o restante da natureza, num intercâmbio que tem como forma privilegiada o “trabalho”; este por sua vez reúne no mínimo três elementos que são, direta ou indiretamente naturais: a atividade produtiva humana (sendo o homem um mamífero com dons especiais), o objeto de trabalho (ou seja a matéria sobre a qual recai a atividade produtiva com vistas à satisfação de uma necessidade humana ou carência tida como tal), e o instrumento de trabalho (que é o mediador entre a primeira e a segunda). À vista da tragédia humana que representa o trabalho alienado na
sua forma capitalista e a devastação da natureza (humana e) não humana como conseqüência da sua privatização no capitalismo, aqueles “querer” e “poder” precisam definir um horizonte utópico póscapitalista que eu chamo de Ecomunitarismo; ele está alicerçado em três normas éticas que determinam:
a) que cada individuo realize sua liberdade e a si próprio amparado pela comunidade que produz e distribui segundo o princípio “de cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo sua necessidade”;
b) que os únicos limites de tal liberdade o são a construção consensual da mesma e a preservaçãoregeneração
da natureza (humana e não-humana). Rumo ao ecomunitarismo deveremos rechaçar o que poderíamos fazer mas não devemos fazer à luz dessas três normas (incluindo aqui uma auto-censura ética da ciência, conforme a segunda e a terceira norma), e, por outro lado, aprenderemos quão longe somos capazes de chegar na difícil luta por superarmos os obstáculos que os mecanismos de poder inerentes ao capitalismo colocam diariamente a nossa frente em todas as esferas da vida social (incluindo as facetas ecológicas da mesma), em particular na área educacional; dai o caráter crítico-utópico e políticotransformador que precisa ter a educação ambiental, tanto na sua dimensão formal quanto na esfera não formal..

Palavras-chave


Meio ambiente; política sócio-ambienta; educação ambiental.

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DOI: https://doi.org/10.14295/remea.v14i0.2886

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