Educação Ambiental e Democracia
entre constituências políticas, florestanias e assembleias
DOI:
https://doi.org/10.63595/remea.v42i3.19351Palavras-chave:
Educação Ambiental, Democracia, Poder Constituinte, Florestania, AssembleiaResumo
Este artigo, elaborado de modo ensaístico, visa trazer ao campo múltiplo da educação ambiental um debate conceitual ao redor da noção de democracia, especialmente sobre suas perspectivas mais radicais, pensadas pelo filósofo italiano Antonio Negri como poder constituinte. Está dividido em três partes, além da introdução e das considerações finais: a primeira discute a noção de democracia radical, como potência e prática política de multidões múltiplas; a segunda debate as potências constituintes – ou constituências – e o poder constituinte, como exercício democrático de construção de outras formas de existência humana, e combate à sua cristalização e obliteração pelo Estado-capital; e por fim, traz as noções de florestania e assembleia como possibilidades de elaborar as educações ambientais como práticas potencialmente constituintes, de recusa às domesticações e apagamentos promovidos pelo poder constituído.
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