Entre maquinarias e modos de ver e ser vista - a imagem como acontecimento da fada madrinha

Claudia Penalvo, Marcio Caetano, Alexsandro Rodrigues, Nilda Guimarães Alves

Resumo


Neste artigo, referenciados nos Estudos Visuais, nos interessa discutir as interpretações engendradas nos processos de transformação do corpo vivenciados por travestis entrevistadas no documentário Bombadeira (2007), de Luís Carlos de Alencar. Ao interrogar, em suas narrativas, determinados modos de apresentação da personagem travesti na cinematografia brasileira, nos centramos no corpo enquanto imagem e produção de significados. Com o documentário, constatamos que as categorias linguísticas não dão mais conta da complexidade imagética contemporânea sobre as travestis. Sua fotografia produziu mundosficcionais em que as travestis são centradas na figura da personagem bombadeira e em seus manuseios do silicone industrial produzindo um núcleo com tripla função: afirmar a existência travesti, apagar as marcas de uma masculinidade indesejada no corpo e produzir a inteligibilidade e o reconhecimento social do gênero feminino.

Palavras-chave


Pedagogia Visual; Travesti; Performatividade; Existência.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.14295/remea.v0i0.11392

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