A FORMAÇÃO DE ALFABETIZADORES NO BRASIL SOB A ÉGIDE DO DISCURSO HEGEMÔNICO DO ESTADO
Palavras-chave:
Formação de alfabetizadores. Programas. Competências.Resumo
O estudo analisa a relação entre Estado, hegemonia e formação de alfabetizadores, objetivando problematizar o paradigma de competências presente nas políticas e programas implementados a partir da década de 1990. Com base na revisão da literatura, o artigo destaca os programas implementados para melhoria de resultados, acompanhada pelo discurso, em âmbito nacional e internacional, de que a formação docente é um dos principais responsáveis pela qualidade da educação básica. Por essa razão, a qualidade é tratada como setor estratégico das políticas educacionais e, nesse contexto, a escola é direcionada pela lógica de mercado, na qual o verdadeiro cliente das escolas é a empresa e os alunos são os produtos fornecidos para atender a demanda do capital. Para a realização desta pesquisa foi adotado como procedimento metodológico a pesquisa documental. O estudo tem como pressuposto o materialismo histórico-dialético, utilizado como fio condutor das análises realizadas. Para o empreendimento do estudo a investigação foi realizada por meio de pesquisa bibliográfica e documental. Refletir sobre a formação continuada de alfabetizadores pressupõe compreender o trabalho escolar como reflexo da sociedade capitalista contemporânea, em que, muitas vezes, as relações de trabalho são reproduzidas no interior da escola. Portanto, a lógica empresarial que direciona as reformas educacionais e a “pedagogia de resultados” precisa ser superada para garantir o direito à educação e o direito de aprender a ler e a escrever a todas as crianças brasileiras.
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