Tecnologias da Informação e Comunicação e Questão Socioambiental
implicações para o acesso à justiça
DOI:
https://doi.org/10.63595/rcn.v8i1.20163Palavras-chave:
Tecnologias; Questão Socioambiental; Justiça ambiental.Resumo
O presente artigo aborda contradições decorrentes das inter-relações entre questão socioambiental, Tecnologias da Informação e Comunicação e acesso à justiça, no contexto das forças produtivas do capitalismo contemporâneo – enfocando algumas de suas incidências no judiciário brasileiro. O debate desenvolvido tem por objetivo apresentar reflexões críticas sobre as contradições entre intensificação do emprego das referidas tecnologias e as injustiças socioambientais que têm impedindo expressiva parcela da população de exercer o direito de acesso à justiça. A partir do emprego da metodologia de pesquisa de tipo bibliográfico e exploratório, ancorada em autores do pensamento crítico, são empreendidas interlocuções que evidenciam o caráter ideológico das Tecnologias da Informação e Comunicação e suas incidências sobre as condições de vida e trabalho de indivíduos e grupos atravessados pela injustiça ambiental. Neste sentido, constata-se que a degradação socioambiental, aprofundada no atual contexto de crise estrutural do capitalismo, tem penalizado, especialmente, os trabalhadores, populações de baixa renda e segmentos raciais discriminados, apontando para grandes abismos que, na sociedade brasileira, reproduzem desigualdades. Conclui-se que a apropriação das tecnologias de modo desigual, tem afetado camadas da população vulneráveis, fazendo-se necessário colocar a questão socioambiental no centro do debate sobre o acesso aos direitos.
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