O processo de empresarização das emoções na Educação e as novas configurações do trabalho docente
DOI:
https://doi.org/10.63595/reis.v7i1.15815Palavras-chave:
Empresarização, Emoções, EducaçãoResumo
O presente estudo constitui uma aproximação inicial e inédita entre a Teoria da Empresarização e a Sociologia das Emoções e possui um duplo objetivo: construir a categoria empresarização das emoções e discuti-la a partir do contexto educacional. De forma geral, materializando-se por meio de recursos como o controle e a burocracia, além dos fundamentos que caracterizam a ideia de empresa, como a competição e a produção de necessidades, e definindo subjetividades por meio de linguagem própria, o processo de empresarização consolida a ideia de empresa no plano material, subjetivo e das sensibilidades. A empresarização das emoções representa, assim, a complexidade com que tal processo reconfigura as práticas de trabalho e o indivíduo, definindo-o como a expressão de um capital humano. No campo da educação, isso implica em novas formas de trabalho docente, materializadas no sujeito professor por meio da centralidade de suas emoções.
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