“Índio não acaba, não”:
a reinvenção do direito à autoidentificação no Piauí
DOI :
https://doi.org/10.63595/reis.v9i1.18949Mots-clés :
direito à autoidentificação; retomada da indianidade; Piauí; desindianização.Résumé
Este artigo analisa como o direito à autoidentificação indígena é acionado nos processos administrativos de titulação de territórios no Piauí, conduzidos pelo INTERPI. A pesquisa parte da desconstrução da tese do extermínio, ainda presente nos discursos institucionais, para compreender as estratégias jurídicas e políticas dos povos Akroá-Gamella, Gueguê, Tabajara e Kariri na retomada de suas identidades e territórios. Metodologicamente, utiliza o estudo de caso, a etnografia documental e a observação participante para examinar 19 processos administrativos. O estudo revela que o Estado impõe barreiras ao reconhecimento indígena, ao passo que os povos resistem, reatualizando sua ancestralidade no tempo presente. Inspirando-se na ideia da "viagem da volta" (Pacheco de Oliveira, 1998) e na reflexão de Ailton Krenak (1999), o artigo discute a retomada da indianidade como um processo dinâmico e político.
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