A efetivação do planejamento familiar por meio da reprodução humana assistida e as políticas públicas de acesso
DOI :
https://doi.org/10.63595/rcn.v8i1.20856Mots-clés :
Planejamento Familiar, Reprodução Humana Assistida, Políticas Públicas de SaúdeRésumé
O planejamento familiar ocupa posição central no ordenamento jurídico brasileiro, enquanto direito fundamental vinculado à dignidade da pessoa humana, à autonomia reprodutiva, à igualdade e à paternidade responsável. Os avanços científicos e tecnológicos no campo da reprodução humana assistida ampliaram o conteúdo dos direitos reprodutivos, integrando o direito à concepção. Nesse contexto, o estudo analisa a incorporação da reprodução humana assistida como instrumento de concretização do planejamento familiar e como política pública de saúde, bem como os limites da responsabilidade estatal. A pesquisa orienta-se pela seguinte pergunta: o atual modelo normativo e as políticas públicas existentes no Brasil são suficientes para garantir a efetivação do direito ao planejamento familiar por meio da reprodução humana assistida? Verificou-se que a incorporação dessas tecnologias ao sistema jurídico e às políticas públicas ocorre de forma fragmentada, marcada pela ausência de legislação específica e pela predominância de normas infralegais, especialmente Resoluções do Conselho Federal de Medicina. Além disso, as políticas públicas existentes mostram-se incapazes de assegurar acesso equitativo e territorialmente descentralizado, contribuindo para a mercantilização das técnicas reprodutivas. Assim, impõe-se a necessidade de fortalecimento da atuação estatal, a fim de garantir que a autonomia reprodutiva se traduza em efetiva possibilidade de escolha, em conformidade com os princípios constitucionais.
Téléchargements
Références
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 2025. Disponível em: https:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 24 jan. 2026.
BRASIL. Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9263.htm. Acesso em: 24 jan. 2026.
BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Brasília, DF: Presidência da República, 2002. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm>. Acesso em: 11 fev. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral em Reprodução Humana Assistida. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 2, de 28 de setembro de 2017: Consolidação das normas sobre as políticas nacionais de saúde do Sistema Único de Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0002_03_10_2017.html. Acesso em: 10 fev. 2026.
CFM. Conselho Federal de Medicina. Resolução nº 2.320 de 2022. Brasília, 2022. Disponível em: <https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2022/2320> Acesso em: 10 fev. 2026.
COSTA, Ana Paula Correia de Albuquerque da. Direitos reprodutivos, planejamento familiar e reprodução humana assistida no Brasil no atual estado da arte. Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário. Brasília, v. 5, n. 3, jul./set, p. 80-103, 2016.
DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das Famílias. 15. ed. Salvador: Juspodivm, 2022.
ENTRINGER, Aline Piovezan. et al. Análise de custo de um centro de reprodução humana assistida no Sistema Único de Saúde. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 33, p. 1-20, 2023.
FROENER, Carla; CATALAN, Marcos. A reprodução humana assistida na sociedade de consumo. São Paulo: Editora Foco, 2020.
GAMA, Guilherme Calmon Nogueira da. A nova filiação: o biodireito e as relações parentais. Rio de Janeiro: Renovar, 2003.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Direito de Família. 22. ed. São Paulo: Saraiva, 2025.
MADALENO, Rolf. Curso de direito de família. 14ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2024.
MOORE, Keith, PERSAUD, T.V.N. Embriologia Clínica. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2008.
MORAES, Carlos Alexandre; AMARO, Mylene Manfrinato dos Reis. Políticas públicas e os direitos reprodutivos por reprodução humana assistida: pela efetivação dos direitos da personalidade. Revista Direitos Sociais e Políticas Públicas, v. 7, n. 3, p. 33–58, 2019.
OLIVEIRA, Magali Gláucia Fávaro de; BUSSINGUER, Elda. Infertilidade: Sistema Único de Saúde e o direito fundamental ao planejamento familiar. Revista Bioética. v. 32, p. 1-11, 2024.
REIS, Clayton. O Planejamento Familiar - Um Direito de Personalidade do Casal. Revista Jurídica Cesumar, v. 8, n. 2, p. 415-435, jul./dez. 2008.
RIBEIRO, Raphael Rego Borges. Planejamento familiar e reprodução assistida. Conpedi Law Review, v. 6, n. 1, p. 138–157, jan./dez. 2020.
SAMRSLA, Mônica; NUNES, Juliana Cezar; KALUME, Carolina; CUNHA, Antônio Carlos Rodrigues da; GARRAFA, Volnei. Expectativa de mulheres à espera de reprodução assistida em hospital público do DF: estudo bioético. Revista da Associação Médica Brasileira, n. 53, v. 1, 2007.
SARLET, Ingo Wolfgang; MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. Curso de Direito Constitucional. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2025.
SOUZA, Karla Keila Pereira Caetano; ALVES, Oslania de Fátima. As principais técnicas
de reprodução humana assistida. Revista Acadêmica do Instituto de Ciências da Saúde, v. 2, n. 01, jan.-jul, p. 1-50, 2016.
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento nº 52883126720238217000. Terceira Câmara Cível, Relatora Des. Matilde Chabar Maia. Julgado em 22-02-2024. Disponível em: <https://www.tjrs.jus.br/novo/buscas-solr/?aba=jurisprudencia&q=fertilizacao+governo+&conteudo_busca=ementa_completa>. Acesso em: 12 fev. 2026.
UNFPA. Reprodução Assistida e direitos: panorama, desafios e recomendações para políticas públicas no Brasil. Brasília: Fundo de População das Nações Unidas, 2024. Disponível em: https://brazil.unfpa.org/pt-br/news/estudo-identifica-barreiras-socioeconomicas-reproducao-assistida. Acesso em: 30 jan. 2026.
Téléchargements
Publié-e
Comment citer
Numéro
Rubrique
Licence
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).



