A lenda do comércio mudo: a representação europeia do Outro em uma nota de Emilio Betti
DOI:
https://doi.org/10.63595/rbhcs.v17i34.16567Palabras clave:
Emilio Betti, Comércio mudo, racismo, eurocentrismo, História das imagensResumen
Emilio Betti reporta um pitoresco comércio que seria praticado em África. Nele, as partes negociariam sem se falarem e sem se verem. Prática semelhante fora reportada já em Heródoto (século V a.C), e também na época das grandes navegações, em lugares dispersos do globo, como Sibéria ou Lapão, recebendo o nome de “comércio mudo”. Neste trabalho, nos propusemos a investigar as bases históricas do registro contido em Betti. Procuramos demonstrar que a tipologia não merece ser considerada enquanto um dado antropológico, mas enquanto um dado histórico sobre a construção das representações europeias do Outro (antropológico). O comércio mudo aparece como uma lenda que operou um papel importante nos imaginários da geopolítica moderna.
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