Bordando a luta: O Coletivo de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens e as oficinas de Arpilleras como estratégia de mobilização social

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14295/rbhcs.v12i23.11179

Palavras-chave:

Mobilização Social, Movimento dos Atingidos por Barragem, Coletivo de Mulheres, Arpilleras.

Resumo

Esse artigo estuda o percurso de mobilização social empenhado na luta pela dignidade humana em contextos de construção de hidrelétricas no Brasil, capitaneado pelo Coletivo de Mulheres, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), através da técnica de bordado conhecida como arpillera. As arpilleras ficaram mundialmente conhecidas por denunciarem os contornos de crueldade da Ditadura Militar de Augusto Pinochet (1973-1992). No Brasil, essa técnica de bordado serve como suporte para que mulheres do Coletivo de Mulheres do MAB, bordem as violações dos direitos humanos a que estão sujeitas, o projeto recebeu o nome de “Arpilleras, Bordando a Resistência”. A análise aqui contida é uma reflexão elaborada a partir de entrevistas com as militantes e idealizadoras do projeto “Arpilleras, Bordando a Resistência” e fruto da observação participante realizada na Oficina de Arpilleras, durante a exposição “Arpilleras Amazônicas: costurando a luta por direitos”, ocorrida em Belém – PA, em 2016. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Monise Vieira Busquets, Universidade Federal do Tocantins - UFT

Monise Busquets é Jornalista, Doutora em Ciências do Ambiente e sua pesquisa versa sobre as violações dos direitos humanos sofridos por mulheres atingidas pela barragem de Belo Monte, Estado do Pará, Amazônia brasileira. Pesquisa ainda temas como cultura e meio ambiente, subalternidade, a luta pela dignidade humana empreendida por movimentos sociais, tendo como ponto focal de sua carreira acadêmica as formas de violência relegada aos corpos subalternos em territórios coloniais, mais precisamente na Amazônia. Compõe a Rede de Barragens Amazônicas, grupo de trabalho conjunto entre a Universidade Federal do Tocantins, Universidade Federal de Rondônia e a Universidade da Flórida - USA. Atua ainda como Produtora Cultural, dentre suas produções, dirigiu o documentário Da Luz da Vida à Água que Morre ganhador do Prêmio Cacá Diegues de incentivo à cultura do Estado do Tocantins em 2012, a série documental Barragens Hidrelétricas e Povos Indígenas (2017) com o financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e documentário produzido na Universidade Norte do Arizona - Estados Unidos, financiado pela National Science Foundation - NSF: Exploring the Colorado River Glen Canyon Dam Adaptive Management Program, (2017). Leciona disciplinas como: Sociologia, Antropologia, Direitos Humanos, História das Populações Amazônicas, Territórios e História Ambiental da Amazônia.

Referências

GARCIA, E. V. The Quilt Project ” y “ The Art of Survival Exhibition : International and Irish QuiltS. Instituto de Derechos Humanos Pedro Arrupe. Máster en Acción Internacional Humanitaria. Universidad de Deusto, 2008.

KLEBA, M. E; WENDAUSEN, A. Empoderamento: processo de fortalecimento dos sujeitos nos espaços de participação social e democratização política. Saúde e Sociedade. São Paulo, v.18, n.4, p.733-743, 2009.

JANUZZI, L. Arpilleras: Bordando a resistência. Revista Radis - Comunicação e Saúde. Fundação Osvaldo Cruz. Junho, 2015.

JIMÉNEZ-LUCENA, I;. LUGONES, M.; MIGNOLO, W.; TLOSTANOVA, M. Género y descolonialidad. Buenos Aires: Del Signo, 2014.

LEÓN, M. Empoderamiento: Relaciones de las mujeres com el poder. Estudos Feministas, v. 8, n. 2, p. 191, 2000.

LEFF, E. Ecofeminismo: el género del ambiente. Polis [Em línea], 9 2004. Disponível em: . Acesso em: 22, ago. 2017.

MAB. Dossiê de Mulheres Atingidas. São Paulo, 2015. Não publicado.

SANDOVAL, C. Feminismo cyborg y metodología de los oprimidos. In: Otras inapropiables: Feminismos desde las fronteras. Madrid: Traficantes de Sonhos, 2004.

SEGATO, R.L. La Guerra contra las Mujeres. Madrid: Traficante de Sonhos, 2016.

SHIVA, V. Abrazar la Vida. Mujer, ecología y desarollo. Madrid: H. Horas. 1995.

WEIMANN, G. Bordar, ato transgressor? Revista Outras Palavras. 2013 Disponível em: <https://outraspalavras.net/sem-categoria/bordar-ato-transgressor/>. Acesso em: 17 nov. 2016.

VILLARROEL, J. M. P; JARA, M. S. M. Reconstrucción Histórica de la Cueca Sola: Desde el imaginario político y social en Chile (1978 - 1990). (Tesis) Universidad de Artes y Ciencias Sociales. Escuela de Historia y Ciencias Sociales. Santiago, 2014.

VITAL, E. Arpilleras y empoderamiento afectadas por represas, de víctimas a defensoras de derechos humanos. In: CORRASCONA, A; ASTORKA, I. M; IDIGORAS, M. O. La Embarcada Activista: Arteterapia y activismo. Fundación Museo de la Paz de Guernika. 2016. Disponível em: <https://issuu.com/gernikagogoratuz/docs/__ndice_libro_laembarcada_artivista>. Acesso em: 05, jul. 2018.

CRUZ, C. B.; SILVA, V. P. Grandes projetos de investimento: a construção de hidrelétricas e a criação de novos territórios. Sociedade & Natureza, 22(1), 181-190, 2010.

Downloads

Publicado

2020-07-10

Como Citar

Busquets, M. V. (2020). Bordando a luta: O Coletivo de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens e as oficinas de Arpilleras como estratégia de mobilização social. Revista Brasileira De História &Amp; Ciências Sociais, 12(23), 153–176. https://doi.org/10.14295/rbhcs.v12i23.11179