Para além da violência epistêmica

possibilidades de análises arqueológicas simétricas do Batuque Gaúcho

Autores

  • Cláudio Baptista Carle Bacharelado em Antropologia (Antropologia Social e Cultural e Arqueologia)LÂMINA - Laboratório Multidisciplinar de Investigação ArqueológicaGEPIEM - Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Imaginário, Educação e Memória -FAEGrupo de Pesquisa Deslocamentos, Observâncias e Cartografias Contemporâneas - CAMestrado em Antropologia - Área de Concentração em Arqueologia - PPGADepartamento de Antropologia e ArqueologiaInstituto de Ciências Humanas - ICH - http://www.ufpel.tche.br/ich/ Universidade Federal de Pelotas - UFPelRua Alberto Rosa, 15496010-770 Pelotas RSBRASIL - Fone: 053- 3284.5531
  • Ingrid Adrielle de Souza Freitas Santana GPCIE - Grupo de Pesquisa Cultura, Imaginário e Educação

DOI:

https://doi.org/10.14295/rbhcs.v13i27.11518

Palavras-chave:

Batuque, descolonial, afro-rio-grandense

Resumo

O artigo trata de articulações e possibilidades para a realização de uma Arqueologia mais socialmente simétrica. Para tanto, o autor aborda a Teoria do Imaginário, tentando encontrar fusão com teorias como as da Virada Ontológica e da Arqueologia do Presente, numa incessante busca de uma pós-colonialidade. As materialidades de agentes humanos e não humanos e seus sentimentos engendram uma perspectiva arqueológica simétrica, colaborativa e equitativa. Iniciamos nosso incômodo pelas práticas ortodoxas da Ciência Arqueológica e, debatendo entre nós, passamos a considerar diferentes perspectivas para possibilitar uma Arqueologia com o mínimo de violência epistêmica possível.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cláudio Baptista Carle, Bacharelado em Antropologia (Antropologia Social e Cultural e Arqueologia)LÂMINA - Laboratório Multidisciplinar de Investigação ArqueológicaGEPIEM - Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Imaginário, Educação e Memória -FAEGrupo de Pesquisa Deslocamentos, Observâncias e Cartografias Contemporâneas - CAMestrado em Antropologia - Área de Concentração em Arqueologia - PPGADepartamento de Antropologia e ArqueologiaInstituto de Ciências Humanas - ICH - http://www.ufpel.tche.br/ich/ Universidade Federal de Pelotas - UFPelRua Alberto Rosa, 15496010-770 Pelotas RSBRASIL - Fone: 053- 3284.5531

Graduado, mestrado e doutorado em História pela Pontifíca Universidade Católica, professor do PPGAnt e Curso de Arqueologia UFPel.

Ingrid Adrielle de Souza Freitas Santana, GPCIE - Grupo de Pesquisa Cultura, Imaginário e Educação

Arqueóloga graduada pela Universidade Federal do Rio Grande. Mestra em Antropologia com grau de formação em Arqueologia pela Universidade Federal de Pelotas. Doutoranda em Antropologia com grau de formação em Arqueologia pela Universidade Federal de Pelotas. Colaboradora do projeto Terra de Santo, vinculado ao projeto Margens da UFPel.

Referências

AMARAL, R. A coleção etnográfica de cultura religiosa afro-brasileira do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. São Paulo: Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, v. 10, pp. 255-270, 2001.

BACHELARD, Gaston. Devaneios sobre o devaneio. In: A poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 1988, pp 27-52.

BARBOSA NETO, E. R. A máquina do mundo: variações sobre o politeísmo em coletivos afro-brasileiros. 2012. Rio de Janeiro: Tese de Doutorado em Antropologia, 2012.

BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil: contribuição a uma sociologia das interpenetrações de civilizações. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1985.

BENTO, Berenice; PELUCIO, Larissa. Despatologização do gênero: a politização das identidades abjetas. Revista de Estudos Feministas, Florianópolis , v. 20, n. 2, p. 559- 568, Aug. 2012.

BOGRAD, M. SINGLETON, T. The interpretation of Slavery: Mount Vernon, Monticello at Levi Jordan’s Plantation (1848-1892). In: HUDSON JR, L. (ed). Working Toward Freedon: Slave Society and Domestic Economy in American South. New York: University of Rochester Press, pp. 95-118, 1994.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Tradução de Fernando Tomaz. 2a edição. Rio de Janeiro: editora Bertrand Brasil, 1989

BRUNEAU, Philippe; BALUT, Pierre-Yves. Artistique et archéologie. Paris, Presses de l’Université de Paris-Sorbonne, 1997

CARLE, Claudio B. A organização espacial dos assentamentos de ocupação tradicional de africanos e descendentes no Rio Grande do Sul nos séculos XVIII e XIX. Tese de doutorado. Porto Alegre: PUCRS, 2005.

CARVALHO, P.M. A travessia Atlântica das Árvores Sagradas: Estudos de paisagem e arqueologia em área de remanescente de quilombo em Vila Bela/MT. São Paulo: Dissertação de mestrado em Arqueologia, 2012.

CASSIRER, Ernst. A Linguagem e o Mito: Sua Posição na Cultura Humana. In: Linguagem e Mito. 3ª ed., São Paulo: Perspectiva, pp. 15-32, 1992.

CASSIRER, Ernst. Uma chave para a natureza do homem: o símbolo; Das reações animais às respostas humanas. In: Antropologia filosófica: Introducción a una filosofía de la cultura. 5ª ed., Cid. Do México: Fondo de Cultura Econômica, pp. 25-39, 1968.

CORRÊA, Norton F. O Batuque do Rio Grande do Sul: Antropologia de uma religião afro-rio-grandense. Porto Alegre: Editora da Universidade, 1994.

COSTA, Claudia de Lima. Feminismos descoloniais para além do humano. Estudos Feministas, Florianopolis, v. 22, n. 3, pp. 929-934, 2014

DAVIS, Angela. O Legado da Escravatura: bases para uma nova natureza feminina (cap. 1). Mulheres, raça e classe. 1981.

DELUMEAU, J. História do medo no ocidente 1300-1800: uma cidade sitiada. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

DURAND, G. O imaginário. Ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem. [Tradução René Eve Levié], 3ª Ed., Rio de Janeiro: Difel, 2004.

DURAND, Gilbert. A imaginação simbólica. Lisboa: Edições 70, 1993.

DURAND, Gilbert. Campos do Imaginário. Lisboa: Instituto Piaget, (Longínquo Atlântico e próximo Telúrico, imaginário lusitano e imaginário Brasileiro, pp 197-204), 1996

EINSTEIN, Albert. Teoria da relatividade: sobre a teoria da relatividade espacial e geral (para leigos). [trad. Silvio Levy], Porto Alegre, LPM, 2017

ELIADE, Mircea, O sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

ELIADE, Mircea. Simbolismo do “centro”. In: Imagens e Símbolos. Ed. 768º, Lisboa: Minerva, pp 27-52, 1979.

FAIRBANKS, C.H. The Plantation Archaeology of Southaestern Coast. Historical Archaeology (18), pp. 1-14, 1984.

FANON, F. Piel negra, máscaras blancas [Tradução Ana Useros Martín], Espanha: Akal, 2016.

FAVRET-SAADA, J. Ser afetado. Tradução Paula Siqueira. Cadernos de Campo, n.13, p.155-161, 2005.

FÉLIX, D. Cultura material de Pretos Velhos e Caboclos na Linha Cruzada na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul: Uma abordagem enoarqueológica. Pelotas: Trabalho de Conclusão de Curso, 2014.

FERREIRA, L.M. Patrimônio, Pós-Colonialismo e Repatriação Arqueológica. Ponta Lança: História, Memória e Cultura, pp. 37-62, 2008.

FRANCOVICH, Ricardo. MANACORDA, Daniele. Diccionario de Arqueologia. Barcelona: Editorial Crítica, 2001.

FUNARI, P. P. A arqueologia e a Cultura Africana nas Américas. Estudos Ibero- Americanas, pp. 61-71, 1991.

FUNARI, P.P. Arqueologia, São Paulo, Editora Contexto, 2003.

FUNARI, P.P. CARVALHO, A.V. O patrimônio em uma perspectiva crítica: o caso do Quilombo dos Palmares. Rio de Janeiro: Diálogos, v. 9, pp. 33-58, 2005

GEERTZ, Cliford Interpretação das culturas. (Cap 3 – O crescimento da cultura e a evolução da mente- pp 41-61). Rio de janeiro: LCT, 2008.

GILROY, Paul. Identidade, pertencimento e a crítica da similitude pura. In: Entre Campos: nações, cultura e o fascínio da Raça. São Paulo: Annablume, 2007.

GNECCO, C. Caminos de la Arqueología: de la violencia epistémica a la relacionalidad. Bélem: Boletim do Museu Paranaense Emilio Goeldi, 2009.

GOLDMAN, Márcio. Histórias, devires e fetiches das religiões afro-brasileiras: ensaio de simetrização antropológica. Análise Social, v.XLIV, nº 190, 2009.

GONZÁLEZ-RUIBAL, A.. The Past is Tomorrow: Towards na Archaeology of Vanishing Present. Norwegian Archaeological Review, (39):2, 110-125, 2006.

GONZÁLEZ-RUIBAL, A. De la Etnoarqueología a la arqueologia del presente. In: SALAZAR, J.; DOMINGO, I.; AZKÁRRAGA, J.; BONET, Helena (orgs). Mundos tribales: uma visón etnoarqueológica. Museu de Prehistória de Valencia, pp. 16- 27, 2008.

GOSDEN, C. What do Objects Want? Journal of Archaeological Method and Theory, v.12: 3, 93-211, 2005.

HALL, Stuart. Identidad cultural y diáspora / El espectáculo del “otro”. In: Sin garantias: trayectorias y problemáticas en estúdios culturales. Bogotá: Universidad Andina Simón Bolívar, 2010.

HEIDDEGER, Martim Introdução a Metafísica, Rio de Janeiro,:Tempo Brasileiro, 1966

HOOKS, Bell Mujeres negras: dar forma a la teoria feminista. In: HOOKS, B; BRAH, Avtar; SANDOVAL, Chela; ANZALDÚA, Gloria (Orgs.). Otras inapropriables: feminismos desde las fronteras, Madrid: Traficantes de Sueños, pp.33-50. 2004.

INGOLD, T. The Materials of Life. In: Making: Anthropology, Archaeology, Art and Architecture. London: Routledge, pp. 17-32, 2013.

JOCKEY, P: L’archéologie. Paris: Le Cavalier bleu, 2008.

JOHNSON, Matthew. Teoría arqueológica: Una Introducción. Barcelona: Editorial Ariel, S.A., 2000.

LATOUR, B. Tercera Fuente de Incertidumbre: los objetos también tienen capacidad de agencia. In: Reensamblar lo Social: una introducción a la teoría del actor- red. Buenos Aires: Manantial, pp. 95-128, 2008.

LATOUR, B. Jamais fomos modernos: Ensaio de antropologia simétrica; (3ª Edição) tradução Carlos Ireneu da Costa. São Paulo: Editora 34, 2013.

LEONE, M. A Historical Archaeology of Capitalism. American Anthropologist, v.97, pp. 251-258, 1995

LIMA, T.A. Arqueologia Histórica: algumas considerações teóricas. Comunicação apresentada ao I seminário de Arqueologia Histórica. SPHAN/FNPM, Rio de Janeiro, 1985

LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 22, n. 3, jan. 2015.

MAESTRI FILHO, M.J. O escravo no Rio Grande do Sul: a charqueada e a gênese do escravismo gaúcho. Caxias do Sul: Editora da Universidade de Caxias do Sul, 1984.

MAFFESOLI, Michel A ordem das coisas – pensar a pós-modernidade, Rio de Janeiro, GEN e Forense Universitária, 2016

MAFFESOLI, Michel O imaginário é uma realidade; Revista FAMECOS, Porto Alegre: PUCRS, nº 15 , quadrimestral, agosto 2001

MATTOS, Regiane Augusto de. História e cultura afro-brasileira. São Paulo: Contexto, 2009.

MELLO, M. A. Lirio de. Reviras, Batuques e Carnavais: A cultura de resistência dos escravos em Pelotas. Pelotas: Editora Universitária UFPel, 1994.

MUNANGA, Kabengele (org.) História do Negro no Brasil. In: O negro na sociedade brasileira: Resistência, participação, contribuição. Brasília: Fundação cultural Palmares, v. 1, 2004

ORO, A. P. As religiões afro gaúchas. In: SILVA, G.F.; SANTOS, J.A.; CARNEIRO, L.C.C. (Orgs) RS negro: cartografia sobre a produção do conhecimento. [recurso eletrônico] – 2. ed. rev., e ampl. – Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010.

ORO, Ari Pedro (org.) As religiões Afro-Brasileiras do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Ed. Universidade/ UFRGS, (Série Universidade) 1994.

ORO, Ari Pedro; STEIL, Carlos Alberto. Horizontes Antropológicos: Religião. UFRGS. IFCH. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – Ano 1, n.1 (1995). Porto Alegre: PPGAS, 1998.

OSER JR, C. FUNARI, P.P. Arqueologia da Resistência escrava. Cadernos do LEPAARQ. Pelotas: Editora da UFPEL. V.1, nº2, 2004.

PARISE, Normelia M. Literatura e oralidade no Haiti A poesia em Crioulo de Georges Castera, Boitatá - Revista do GT de Literatura Oral e Popular da ANPOLL – ISSN 1980-4504, Londrina, n.17, pp. 72-87, jan-jul 2014

PITTA, Danielle Perin Rocha. O impacto sociocultural sobre o regime das imagens. Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 32, n. 4, p. 77-95, mar. 1980. PRANDI, Reginaldo. Referências sociais das religiões afro-brasileiras: sincretismo, branqueamento, africanização. In: Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 4, n.8, p.151-167, junho de 1998.

PRECIADO, Beatriz. Multidões queer: notas para uma política dos "anormais". Revista de Estudos Feministas, vol.19, n.1, pp. 11-22, 2011.

RODRIGUES, Nina. O animismo fetichista dos negros baianos. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2006

SANTANA, I.A.S.F. Gira de Caboclo na Umbanda Riograndina: Uma contribuição. Trabalho de Conclusão de Curso, Rio Grande, 2015.

SANTOS, Roberto. Pós modernidade, história e representação: cultura negra e identidade. MOUSEION, vol. 3, n.5, Jan-Jul./2009.

SARTRE, Jean Paul, O imaginário: psicologia fenomenológica da imaginação. São Paulo, ed. Atica, 1996

SILVA, F. O plural e o singular das arqueologias indígenas. Revista de Arqueologia, São Paulo, v.25, n.2, p.24-42, 2012.

SYMANSKI, L.C.; SOUZA, J.M. O registro Arqueológico dos grupos Escravos: Questões de Visibilidade e Preservação. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pp. 215-242, 2007.

TOSI, Lucía. Mulher e Ciência. A Revolução Científica, a Caça às Bruxas e a Ciência Moderna. Cadernos Pagu (10), 1998, pp.369-397.

TRIGGER, B.G. História do Pensamento Arqueológico. Tradução Ordep Trindade Serra. São Paulo: Odysseus Editora, 2004

WOLFF, L. S. Pinto. Seres materiais entre sons e afetos: uma etnografia arqueológica dos objetos em terreiras de Pelotas/RS. Dissertação de mestrado. Pelotas, 2016.

Downloads

Publicado

2022-06-23

Como Citar

Carle, C. B., & Santana, I. A. de S. F. (2022). Para além da violência epistêmica: possibilidades de análises arqueológicas simétricas do Batuque Gaúcho . Revista Brasileira De História &Amp; Ciências Sociais, 13(27), 50–70. https://doi.org/10.14295/rbhcs.v13i27.11518

Edição

Seção

Artigos Livres