O lugar da natureza: a desconstrução da modernidade em Robinson Crusoé
DOI:
https://doi.org/10.63595/rbhcs.v11i21.10834Palavras-chave:
Idade Moderna, História, Literatura, Robinson Crusoé, Crise Ambiental.Resumo
O romance de Daniel Defoe, Robinson Crusoé, é considerado um marco cronológico e conceitual na definição da modernidade. A obra, publicada em 1719, concentra diversas características da Era Moderna (1453-1789), tais como: a crença no progresso; o domínio da natureza pelo homem; a aceitação social do lucro; a crença na superioridade europeia. Para a crítica literária, a obra de Defoe tem lugar de destaque, e o autor é tido como fundador de uma tradição que instaura na sociedade moderna, com a ascensão do individualismo, o lugar do romance como definidor de sentidos da vida em um mundo onde os determinismos deram espaço ao livre arbítrio. A nosso ver, contudo, seguindo os passos de Bruno Latour em Jamais fomos modernos (1991), a constituição da modernidade precisa ser revisitada em face à atual crise ambiental.Downloads
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