A queda da Gato: uma reflexão acerca da adaptação cinematográfica "Mulher-Gato"
Palabras clave:
Mulher-Gato, Crítica Feminista do Cinema, Feminismo Negro, Adaptação Cinematográfica, Análise do DiscursoResumen
Em 2004, estreava nos cinemas “Mulher-Gato”, adaptação cinematográfica da personagem da DC Comics, notória vilã do universo de Batman. Em meio a críticas negativas de público e profissionais, o filme se destacou por dois importantes marcos do cinema hollywoodiano, ser um blockbuster protagonizado por uma atriz negra e uma das poucas produções em que uma super-heroína – ou super-vilã –, é a personagem título. Diante disso, este trabalho parte dos conceitos de adaptação cinematográfica propostos por Robert Stam (2006) e Julio Plaza (2010) para desenvolver uma leitura reflexiva sobre o filme, utilizando como abordagem as contribuições de Michel Foucault para a Análise do Discurso. Adota-se como pressuposto a declaração de Mick LaSalle (2004), crítico de cinema e escritor, que o considerou uma “busca pelo significado do feminismo”. O trabalho também se apoia na Crítica Feminista do Cinema e nos preceitos do Feminismo Negro. Como resultados, acredita-se que “Mulher-Gato”, como adaptação, represente uma transcodificação do universo da personagem das HQs para o cinema e, neste processo, realmente apresente questões caras para o feminismo. Contudo, estas questões são abordadas sob um viés mercadológico, pautado pelo olhar redutor da mulher, e se afasta das demandas acerca da representatividade da figura feminina.
Citas
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