Dossiê: Pandemia, crise democrática e relações internacionais

2021-03-09

No dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a COVID-19 como uma pandemia. Desde então, mais de 117.000.000 pessoas já foram infectadas e mais de 2.600.000 morreram. No Brasil, os dados dão conta que já existem mais de 11.000.000 de infectados e mais de 266.000 mortos, números que aumentam diariamente.

Vivemos um momento extremamente delicado cujas consequências, nem todas ainda previstas, transformarão a humanidade. As futuras gerações serão definidas a partir da relação que mantiveram com os anos de 2020 e 2021 auge da doença. Por mais paradoxal que possa parecer as poucas certezas que temos é que o Século XXI inaugurou a “A Era do Imprevisto”, como afirma o cientista político Sergio Abranches.

Em paralelo, vivemos momentos de extrema delicadeza em relação à consolidação da democracia liberal. As promessas de prosperidade impulsionadas pela previsibilidade e paz do modelo democrático liberal não se realizaram, considerando o tamanho da pobreza, desigualdade e vulto dos conflitos internacionais, ainda mais sensíveis na Pandemia, que assolam o planeta. De outro lado, a emergência de governos neofascistas (Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia, Putin na Russia) com muito pouco apreço às instituições democráticas, fazem a humanidade voltar a se fazer uma pergunta clássica desde Aristóteles e Platão que, aparentemente havia sido superada após o final da segunda guerra: qual a melhor forma de governo?

Neste sentido, precisamos continuar a discutir os modelos econômicos e voltar a debater os modelos políticos e, principalmente, a democracia, que até então conhecíamos, posta a sua incapacidade de tratar de acontecimentos como estes.

Essa proposta de dossiê vem no sentido de questionar qual a possibilidade de Estados com pouca ou dividida legitimidade realizarem políticas públicas que diminuam as mazelas de fenômenos como o da COVID 19 e / ou atuem na prevenção de futuros? A ideia é dispor da Revista Latino-Americana de Relações Internacionais Campos Neutrais como um espaço de debates e, por que não, como um veículo de transferência de conhecimentos que, a partir da metodologia da política comparada, pauta as relações internacionais e a pandemia.

Serão avaliados manuscritos que tratem a interface entre política, relações internacionais, direito e pandemia a partir da perspectiva das ciências humanas e sociais.

Recepção dos manuscritos: 31 de julho de 2021

Publicação: 30 de agosto de 2021

 

Prof. Dr. Hemerson Luiz Pase (FURG)

Prof. Dr. Everton Rodrigo Santos (FEEVALE)