Contrato de hostilidade: aspectos da hospitalidade, de Jacques Derrida, no romance La ceiba de la memoria, de Roberto Burgos Cantor

Farides Lugo Zuleta

Resumo


O seguinte artigo propõe uma análise comparada (literatura-filosofia) para estudar os matizes da ideia de hospitalidade, de Jacques Derrida, em relação ao romance colombiano La ceiba de la memoria (2007), de Roberto Burgos. Derrida apresenta, no seu livro Da hospitalidade (2003), a figura do estrangeiro como pessoa questionadora da ordem autoritária, refletindo sobre essa complexa condição. Como o estrangeiro é aquele das perguntas incômodas, há uma violência de poder contra ele. Por isso, é necessária a hospitalidade comum, aquela que é um pacto de generosidade, embora permaneçam resquícios de escolha em relação ao hóspede. Derrida também nos fala de uma outra hospitalidade que vai além: a hospitalidade absoluta ou incondicional, na qual sempre vivo de portas abertas ao outro. Segundo a argumentação do filósofo, podemos concluir que, quando não temos nenhuma das duas hospitalidades, estamos diante de um pacto de hostilidade que traz a terrível exploração de meu
próximo. Fenômenos sociais como a escravidão são produtos dessa ausência de hospitalidade, que cria uma realidade doente e violenta, a qual é narrada extraordinariamente no romance de Burgos, e é sobre esta hostilidade que pretendemos refletir neste trabalho.

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Referências


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