Notas sobre a imaginação simpatizante: Coetzee leitor de Hannah Arendt

Juliana Tomkowski Mesko da Fonseca

Resumo


Pretende-se realizar análise comparativa da obra A vida dos animais, de John M. Coetzee, romance e tratado filosófico sobre a relação dos seres humanos com os animais. O romance adota, como noção relevante para o seu desenvolvimento teórico, a ideia de que não importa se efetivamente os animais são detentores de linguagem e de racionalidade tal qual nossa espécie para fins de estender a eles a consideração e a proteção devidas às pessoas, ou para fins de compreender como bárbaras as práticas de confinamento, experimentação e morte sistemática de animais. Há uma investida contra a “razão” em nome de outra categoria, a imaginação simpatizante. A obra remete implicitamente ao pensamento de Hannah Arendt, que não apenas reflete sobre os horrores das práticas de confinamento e extermínio humano nos campos de concentração nazistas, como também teoriza conceitos relativos à capacidade de empatia como politicamente relevantes. Este trabalho procura comparar a exposição de Elisabeth Costello, personagem de Coetzee, com o pensamento de Arendt, evidenciando os limites da percepção tradicional da racionalidade ocidental para a compreensão de temas complexos envolvendo a alteridade. Para tanto, será reconstituída a argumentação de Coetzee, apontando os paralelos entre os dois objetos de análise, objetivando demonstrar que o próprio romance é um  exercício de imaginação simpatizante.

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Referências


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