Fluxos e dimensões do conhecimento indígena

percepções epistemológicas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.63595/biblos.v39i1.19836

Palavras-chave:

Conhecimento indígena, Fluxos informacionais, Epistemologias plurais, Ciência da Informação

Resumo

O presente artigo tem como objetivo compreender os fluxos e dimensões do conhecimento indígena a partir de uma perspectiva das suas percepções epistemológicas com base em uma abordagem qualitativa. O corpus da pesquisa foi constituído por 82 documentos, dos quais 16 artigos científicos foram selecionados para a discussão, segundo critérios de aderência temática e analítica. A investigação organiza-se em duas dimensões centrais do conhecimento indígena: a dimensão física e a dimensão espiritual. A dimensão física evidencia o conhecimento como saber territorializado, produzido e transmitido por meio das práticas sociais, da oralidade, do corpo e da relação com a natureza. Já a dimensão espiritual destaca cosmologias, rituais, sonhos, ancestralidade e práticas de cura como fundamentos epistemológicos dos sistemas indígenas de conhecimento. A análise demonstra que essas dimensões são interdependentes e se articulam na constituição de sistemas complexos de saber, desafiando perspectivas epistemológicas ocidentais hegemônicas. Os resultados reforçam a necessidade de abordagens decoloniais e metodologicamente sensíveis para a compreensão e valorização do conhecimento indígena, contribuindo para o avanço dos debates acadêmicossobre pluralidade epistemológica e produção do conhecimento em contextos interculturais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Diego Leonardo de Souza Fonseca, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM)

Doutor em Ciência da Informação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Especialista em Gestão Tecnológica da Informação pela Escola Superior da Amazônia (ESAMAZ). Pesquisador colaborador no Grupo de Pesquisa Gestão da Informação e do Conhecimento na Amazônia (GICA) e no INSERI: Inovação em Serviços de Informação. É Bibliotecário-Documentalista no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM).

Referências

BANIWA, Gersem. A política do conhecimento: saberes tradicionais e propriedade intelectual. Brasília: MEC, 2006.

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011.

BARRETO, Silvio Sanches. O peixe sobre beiju é o leite e a espuma de buiuiu: uma reflexividade antropológica indígena sobre a gestão cosmopolítica tukano no Alto rio Negro. 2023. 232 f. Tese (Doutorado em Antropologia Social) - Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2023.

BATTISTE, Marie. Research ethics for protectingindigenous knowledge and heritage. Journal of Indigenous Knowledge Systems, v. 3, n. 1, p. 1–15, 2008.

BECVAR, Katherine A.; SRINIVASAN, Ramesh. Indigenous knowledge and intellectualproperty: legal, ethical and epistemologicalissues. Journal of the American Society for Information Science and Technology, Hoboken, v. 60, n. 8, p. 1519–1530, 2009.

CAJETE, Gregory. Look to the mountain: an ecology of Indigenouseducation. Durango, CO: Kivakí Press, 1994.

CADENA, Marisol. Earth beings: ecologies of practiceacross Andean worlds. Durham: Duke University Press, 2015.

DALLA ROSA, Luís Carlos. Bem viver e terra sem males: a cosmologia dos povos indígenas como uma epistemologia educativa de decolonialidade. Educação (Porto Alegre), v. 42, n. 2, p. 298-307, maio-ago. 2019.

DAVENPORT, Thomas H.; PRUSAK, Laurence. Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam seu capital intelectual. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

DURAZZO, L.; SEGATA, J. Intercosmologias: humanos e outros mais que humanos no nordeste indígena. Espaço Ameríndio, Porto Alegre, v. 14, n. 2, p. 185, 2020. DOI: 10.22456/1982-6524.106994. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EspacoAmerindio/article/view/106994. Acesso em: 26 jun. 2025.

FONSECA, Diego Leonardo de Souza; ZANINELLI, Thais Batista. Etnoconhecimento e gestão do conhecimento indígena: um briefing dos modelos africanos. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24., 2024, Vitória-ES. Anais eletrônicos [...].Vitória-ES: ANCIB, 2024. Disponível em: https://enancib.ancib.org/index.php/enancib/xxivenancib/paper/view/2608. Acesso em: 17 jun. 2025

FONSECA, Diego Leonardo de Souza; ZANINELLI, Thais Batista. Gestão do conhecimento indígena: uma breve revisão de literatura na Ciência da Informação. In: ENCUENTRO LATINOAMERICANO DE BIBLIOTECOLOGÍA, DOCUMENTACIÓN Y CIENCIA DE LA INFORMACIÓN DEL MERCOSUR, n. 1, 2023. Anais eletrônicos [...]Disponível em: https://encuentro-mercosur.fic.edu.uy/index.php/encuentro-mercosur/article/view/40/0. Acesso em: 24 maio 2025.

FONSECA, Diego Leonardo de Souza. A gestão do conhecimento indígena: proposta de um modelo conceitual para o contexto amazônica. 2025. 336 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2025.

HOLANDA, V. C. C. de; SILVA, R. M. G. da; ANDRADE, G. M. de. A ancestralidade como epistemologiasindigenas e decolonial na formação do professor atuante nas licenciaturas interculturais. Revista on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 27, n. esp.1, p. e023016, 2023. DOI: 10.22633/rpge.v27iesp.1.17929. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/rpge/article/view/17929. Acesso em: 17 jun. 2025.

JENSEN, A.A. Sistemas indígenas de classificação de aves: aspectos comparativos, ecológicos e evolutivos. Universidade Estadual de Campinas – Tese de Doutorado em Ciências. Campinas. 1985. 239 p.

KOK, Andrew. Can models for knowledge management be successfully implemented to manage the diversity of indigenous knowledge? SA Journal of Information Management, v.7, n.4, p.1-12, 2005. Doi 10.4102/sajim.v7i4.286.

KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

LAIHONEN, H. Knowledge flows in self-organizing processes. Journal of Knowledge Management, v. 10, n. 4, p. 127-135, 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1108/13673270610679377. Acesso em: 17 jun. 2025.

LIN, C.; WU, J. C.; YEN, D. C. Exploringbarriers to knowledge flow at different knowledge managementmaturitystages. Information&Management, v. 49, n. 1, p. 10-23, 2012.

LIU, D. R.; LAI, C. H.; CHEN, Y. T. Documentrecommendationsbased on knowledge flows: a hybrid of personalized and group‐basedapproaches. Journal of the American Society for Information Science and Technology, v. 63, n. 10, p. 2100-2117, 2012.

LODHI, S.; MIKULECKY, P. Management of Indigenous Knowledge for Developing Countries. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON COMMUNICATION AND MANAGEMENT IN TECHNOLOGICAL INNOVATION AND ACADEMIC GLOBALIZATION, 2010, Puerto De La Cruz. Anais eletrônicos [...] Puerto De La Cruz: SJR, 2010, p. 94-98.

MISTRY, J. Indigenousknowledges. 2009. [Science Direct - Topics in Earth and Planetary Sciences]. 2009. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/topics/earth-and-planetary-sciences/indigenous-knowledge. Acesso em: 15 jun. 2025.

NGULUBE, Patrick. Managing and PreservingIndigenous Knowledge in the Knowledge Management Era: challenges and opportunities for informationprofessionals. InformationDevelopment, v.18, n.2, p. 95-102, 2002. DOI: 10.1177/026666602400842486.

NGULUBE, Patrick; DUBE, Luyanda. Pathways for retaininghuman capital in academicdepartments of a South African university. SA Journal of ManagementInformation, v.15, n.2, p.1-8, 2019. doi: 10.4102/sajim.v15i2.560.

NISSEN, M. E. Dynamic knowledge patterns to inform design: a fieldstudy of knowledge stocks and flows in an extreme organization. Journal of ManagementInformation Systems, v. 22, n. 3, p. 225-263, 2005.

OROBITG, Gemma. Dreaming as a way of knowing: indigenousepistemologies and the politics of knowledge. Journal of the Royal Anthropological Institute, Londres, v. 28, n. 1, p. 123–140, 2022.

OROBITG, Gemma; GROTTI, Vanessa. Indigenousontologies, ritual knowledge and epistemicplurality. AnthropologicalTheory, Londres, v. 19, n. 4, p. 465–484, 2019.

PARSONS, Meg; NALAU, Johanna; FISHER, Karen. Alternative Sustainability Perspectives: Indigenous Knowledge and Methodologies. Challenges in Sustainability, v.5, n.1, p.7-14, 2017. DOI: 10.12924/cis2017.05010007.

RABELLO, Rodrigo. A Ciência da Informação como objeto: epistemologias como lugares de encontro. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 17, n. 1, p. 2–36, 2011. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/pci/article/view/22762. Acesso em: 17 jun. 2025.

RHEA, Zane M.; RUSSELL, Lynette. A Mão Invisível da Pedagogia nos Estudos Indígenas Australianos e na Educação Indígena. The Australian Journal of IndigenousEducation, v. 41, n. 1, p. 18–25, 2012. DOI: 10.1017/jie.2012.4. Disponível em: https://ajie.atsis.uq.edu.au/ajie/article/view/63. Acesso em: 17 jun. 2025.

SANTANA, José Valdir Jesus; DE OLIVEIRA, Cláudio Santos. Modos indígenas de produção e transmissão de conhecimento: reflexões introdutórias a partir do povo indígena Kiriri/BA. Aprender – Caderno de Filosofia e Psicologia da Educação, Vitória da Conquista, n. 21, p. 1–17, 2019. DOI: 10.22481/aprender.i21.5617.

SANTOS, Boaventura de Souza. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. Para um novo senso comum. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, Boaventura de Sousa (Org.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010. p. 31–83.

SANTOS, Antônio Silveira R. dos. Biodiversidade, bioprospecção, conhecimento tradicional e futuro da vida. Revista de Informação e Tecnologia, Campinas, v. 1, n. 1, p. 1–12, 2001. Disponível em: http://www.revista.unicamp.br/infotec/artigos/silveira.html. Acesso em: 1 nov. 2021.

SANTOS, Gilton Mendes; DIAS JR., Carlos Machado. Ciência da floresta: por uma antropologia no plural, simétrica e cruzada. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 52, n. 1, p. 137–159, 2009. DOI: 10.1590/S0034-77012009000100004.

SARAIVA, Eduardo de Souza. A literatura dos povos indígenas canadenses e a construção dp conhecimento através da lenda e da tradição oral. Garrafa, v.18, n.52, p. 225-246, 2020.

SILVA, Edson; SOUSA, José. Espiritualidade indígena e produção do conhecimento: perspectivas interculturais. Revista Brasileira de Ciências da Religião, São Paulo, v. 5, n. 2, p. 89–104, 2017.

SMITH, Linda Tuhiwai. Decolonizingmethodologies: research and indigenouspeoples. 2. ed. London: Zed Books, 2012.

TURNBULL, David. Masons, tricksters and cartographers: comparativestudies in the sociology of scientific and indigenous knowledge. Social Studies of Science, Londres, v. 30, n. 4, p. 643–658, 2000.

VALIM, Ricardo. Ontologia e ética no pensamento indígena brasileiro: análise das ontologias Tupi-Guarani e Yanomami. 2023. 121 f. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Fundação Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, 2023.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A inconstância da alma selvagem: e outros ensaios de antropologia. São Paulo: CosacNaify, 2002.

WALDRAM, James B. The efficacy of traditional medicine: currenttheoretical and methodologicalissues. MedicalAnthropologyQuarterly, Washington, v. 18, n. 1, p. 78–102, 2004.

WILSON, Shawn. Research is ceremony: Indigenous research methods. Halifax: FernwoodPublishing, 2008.

YANAI, A. E.; et al. Gestão do conhecimento indígena: elementos métricos para uma revisão de escopo. In: ENCONTRO BRASILEIRO DE BIBLIOMETRIA E CIENTOMETRIA, 9., 2024, Brasília-DF, anais eletrônicos [...]Brasília: UnB, 2024.

ZIDNY, Robby; SJÖSTRÖM, Jesper; EILKS, Ingo. A multi-perspective reflection on how indigenous knowledge and relatedideas can improvescienceeducation for sustainability. Science & Education, Dordrecht, v. 29, p. 145–185, 2020. DOI: 10.1007/s11191-019-00100-x.

Downloads

Arquivos adicionais

Publicado

2026-02-02

Como Citar

Fonseca, D. L. de S. (2026). Fluxos e dimensões do conhecimento indígena: percepções epistemológicas. BIBLOS - Revista Do Instituto De Ciências Humanas E Da Informação , 40, 1–25. https://doi.org/10.63595/biblos.v39i1.19836